Cinco atletas mantêm-se totalistas.
A Liga Dimante voltou a ter um aparente sucesso desportivo, mesmo sendo disputada num ano olímpico. Quénia dominou pela primeira vez nas vitórias...
Este é o circuito mundial mais apelativo para os atletas de topo, não só pela tabela de prémios de cerca de meio milhão de dólares distribuída ao longo dos meetings, mas também pela possibilidade da vitória final do circuito, que atribui ao vencedor de cada especialidade um total de 40 mil dólares. O ano de Jogos Olímpicos podia fazer temer o pior, mas nem por isso pareceu que os meetings sofressem de falta de competitividade, maioritariamente falando.
OS CINCO ATLETAS QUE SEGUEM NA LIGA DIAMANTE TOTALISTAS
São cinco os atletas que desde 2010, altura do nascimento deste novo modelo de competições, se apresentam ao final de 2012 como totalistas na Liga Diamante. Em masculinos esse mérito pertence ao queniano Paul Koech (3000 m obstáculos) e ao francês Renaud Lavillenie (França). Já em femininos essas menções são atribuídas às quenianas Vivian Cheruiyot (5000 m) e Micah Chemos (3000 m obstáculos) e ainda à jamaicana Kaliese Spencer (400 m barreiras. Além destas atletas, outras repetiram vitórias, como foram os casos de Amantle Montsho (400 metros), Silke Spiegelburg (salto com vara), Valerie Adams (lançamento do peso), estas tendo também vencido há um ano. Também a lançadora Barbora Spotakova (lançamento do dardo) repetiu a vitória, mas somada à de 2010.
QUEM COMPETIU PARA TERMINAR ACIMA DOS VINTE PONTOS...
O sistema de pontuação da Liga Diamante é restrito aos três primeiros em cada meeting, com a pontuação dobrada no último meeting de cada especialidade. Competir para terminar acima dos 20 pontos pode implicar ter, por exemplo, quatro vitórias ao longo do circuito, uma delas na última prova, o que mostrará a dificuldade de tamanho domínio. A verdade é que foram nove os atletas que conseguiram esse feito na edição deste ano.
Além da terceira vitória em Liga Diamante, Paul Koech (Quénia) foi também imperador nos 3000 metros obstáculos, participando em seis dos sete eventos, só perdendo em duas ocasiões a possibilidade de vitória. Constatou-se o domínio queniano da especialidade, com os seis classificados todos oriundos do Quénia.
Sempre vitorioso esteve Renaud Lavillenie (França) , ele que só falhou a pontuação nos meetings de Shangai e Londres no salto com vara, uma especialidade tipicamente europeia e que não visitou qualquer meeting norte-americano. Os 24 pontos do varista francês foram acompanhados de uma diferença para o segundo classificado, o alemão Otto Bjorn, de 13 pontos.
Passando para o setor feminino, uma luta bem mais renhida ocorreu entre Amantle Montsho (Botswana) e Sanya Richards-Ross (EUA), nos 400 metros, valendo a regularidade de Montsho que não falhou qualquer meeting da Liga Diamante deste ano, terminando com cinco segundos lugares e apenas duas vitórias, contra três vitórias da norte-americana.
Uma das maiores diferenças de pontuação registou-se nos 1500 metros femininos, com a vitória de Abeba Aregawi (Etiópia), que também se fez valer da sua regularidade, falhando apenas o pódio no meeting de Londres. Contra a falta de consistência das suas adversárias, Aregawi também chegou aos 13 pontos de vantagem.
A correr para a sua terceira vitória em Liga Diamante, Kaliese Spencer (Jamaica) fez-se valer de uma regularidade forte para chegar aos 24 pontos, nos 400 metros barreiras. Os 14 pontos de vantagem sobre Perri Shakes-Drayton mostrarão o domínio da jamaicana que chegou a quatro vitórias de meeting na edição deste ano.
Também com pouca concorrência no salto em comprimento, Yelena Sokolova (Rússia) só começou a faturar pontuação a partir do terceiro meeting, em Oslo, meeting a partir do qual chegou a quatro vitórias e um segundo lugar, totalizando 22 pontos. Três atletas seguiram-se na classificação geral com 8 pontos : Shara Proctor, Janay Deloach e Blessing Okagbare
Dez pontos de intervalo separaram Olga Rypakova (Cazaquistão) e a vencedora de 2011 no triplo salto, a ucraniana Olha Saladukha. Pontuando em todos os meetings, Rypakova chegou a quatro vitórias, beneficiando de poucas atletas a pontuar nesta especialidade, apenas cinco onde curiosamente esteve o nome da russa Tatyana Lebedeva, ela que já foi um dos destaques da especialidade.
Com 19 pontos de vantagem Valerie Adams (Nova Zelândia) foi a raínha do lançamento do peso, principalmente depois da desclassificação de todos os eventos da bielorussa Nadzeya Ostapchuck, por doping. Exceptuando o meeting de Doha, Adams não perdeu mais qualquer meeting desta Liga Diamante até fim da temporada.
Mas a maior vantagem pertenceu mesmo a Sandra Perkovic (Croácia), uma jovem lançadora de 22 anos que entre Shangai (a 19 de maio) e Zurique (29 de agosto) só cedeu em Paris, com um segundo lugar, participando em todos os restantes meetings de forma vitoriosa. Desta forma os 24 pontos de vantagem no lançamento do disco ficam justificados tanto pela regularidade, como pela excelência, que lhe permitiu também chegar ao título olímpico.
O lançamento do dardo acabou a Liga Diamante com apenas quatro atletas pontuadas, entre elas Barbora Spotakova (Rep. Checa), que também participou em todos os eventos da Liga Diamante, totalizando 26 pontos, contra os 11 pontos da sul-africana Sunette Viljoen.
TRÊS PORTUGUESES MARCARAM PRESENÇA NO CIRCUITO
Esta foi novamente uma época onde os atletas portugueses pouco participaram neste circuito, também fruto de um intenso calendário competitivo, que no caso português envolve as competições por clubes. No lançamento do peso Marco Fortes marcou presença em quatro dos seis eventos (Oslo, Paris, Londres e Zurique). O melhor resultado do português ocorreu em Paris, com o quarto lugar e um lançamento de 19.85 metros. Quanto a Patrícia Mamona competiu em três eventos de triplo salto e, apesar de medalhada no Europeu de ar livre, não conseguiu melhor do que 13.76 metros no meeting do Mónaco onde, aliás, chegou à melhor classificação com o 6º lugar. Por fim, na última prova deste circuito, este Vera Barbosa (400 metros barreiras). Em clara descontração acabaria a sua época com 58,41 segundos e um 8º lugar, depois de uma época de confirmação.
QUÉNIA E EUA IGUALARAM NAS VITÓRIAS INDIVIDUAIS
No que tem a ver com a contagem de vitórias individuais, a coerência do Quénia voltou a estar vincada, depois de 7 vitórias em 2010, 5 vitórias em 2011 e 6 vitórias em 2012. Estas seis vitórias foram, aliás, o mesmo número de vitórias dos EUA que recuaram das 11 vitórias em 2010 e as 7 vitórias em 2011. Em crescendo esteve a Jamaica que contou com quatro vitórias este ano, depois de duas vitórias há um ano e apenas uma vitória há dois anos.
Tal como em 2011, o ano de 2012 trouxe a possibilidade de 17 países triunfarem, com um total de, conseguindo também a Europa as mesmas 10 vitórias de há um ano atrás. Só seis países têm mantido vitórias individuais ao longo das três edições da Liga Diamante : Jamaica, Etiópia, Quénia, EUA, França e Croácia.
VENCEDORES DA LIGA DIAMANTE (2012)
Masculinos
100 m – Usain Bolt (Jamaica)
200 m – Nickel Ashmeade (Jamaica)
400 m – Kevin Borlée (Bélgica)
800 m – Aman Mohammed (Etiópia)
1500 m – Silas Kiplagat (Quénia)
5000 m – Isiah Koech (Quénia)
3000 m Obst. – Paulo Koech (Quénia)
110 m Barr. – Aries Merritt (EUA)
400 m Barr. – Javier Culson (Peru)
Altura – Robbie Grabarz (Grã-Bretanha)
Vara – Renaud Lavillenie (França)
Comprimento – Aleksandr Menkov (Rússia)
Triplo – Christian Taylor (EUA)
Peso – Reese Hoffa (EUA)
Disco – Gerd Kanter (Estónia)
Dardo – Vitezlav Veselý (Rep. Checa)
Femininos
100 m – Shelly-Ann Fraser-Pryce (Jamaica)
200 m – Charonda Williams (EUA)
400 m – Amantle Montsho (Botswana)
800 m – Pamela Jelimo (Quénia)
1500 m – Abeba Aregawi (Etiópia)
5000 m – Vivian Cheruiyot (Quénia)
100 m Barr – Dawn Harper (EUA)
400 m Barr – Kaliese Spencer (Jamaica)
3000 m Obst. – Milcah Chemos (Quénia)
Altura – Chaunte Lowe (EUA)
Vara – Silke Spiegelburg (Alemanha)
Comprimento – Yelena Sokolova (Rússia)
Triplo – Olga Rypakova (Cazaquistão)
Peso – Valerie Adams (Nova Zelândia)
Disco – Sandra Perkovic (Croácia)
Dardo – Barbora Spotakova (Rep. Checa)
ESTATÍSTICA DO NÚMERO DE VITÓRIAS POR PAÍSES (DESDE 2010)
1. EUA (24)
2. Quénia (18)
3. Jamaica (7)
4. Etiópia (4), Grã-Bretanha (4), França (4), Cuba (4)
8. Rússia (3), Rep. Checa (3), Alemanha (3), Croácia (3)
11. Botswana (2), Nova Zelândia (2), Canadá (2)
14. Bélgica (1), Peru (1), Estónia (1), Cazaquistão (1), Granada (1), Austrália (1), Lituânia (1), Itália (1), Ucrânia (1), Polónia (1), Noruega (1), Brasil (1), Bielorrússia (1)
CONTEÚDOS DA LIGA DIAMANTE DE 2012
Doha (11 de Maio) - Dez líderes mundiais em Doha
Shanghai (19 de Maio) - Shangai e o brilho de Xiang
Roma (31 de Maio) - Bolt recuperou imagem em Roma
Eugene (2 de Junho)- A chuva de marcas em Eugene
Oslo (7 de Junho) - Melhores de 2011 não desiludiram
Nova Iorque (9 de Junho) - Nova Iorque e os recordes
Paris (6 de Julho) - Meeting de Paris teve ainda recorde mundial junior
Londres (13 e 14 de Julho) - Meeting de Londres teve poucos destaques internacionais
Monaco (20 de Julho) - Mónaco serviu de último teste pré-olímpico
Estocolmo (17 de Agosto) - Zaripova foi raínha em Estocolmo
Lausanne (23 de Agosto) - Jamaica voltou ao topo em Lausanne
Birmingham (26 de Agosto) - Birmingham e a Mo-mania
Zurique (30 de Agosto) - Liga Diamante molhada em Zurique
Bruxelas (7 de Setembro) - O recorde de Merritt brilhou em Bruxelas
Veja algumas fotografias de vencedores da Liga Diamante aqui
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