19ª Meia Maratona de Ovar |
| Quarta, 10 Outubro 2007 | |||||||||||||
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A FESTA DO ATLETISMO - 19ª Meia Maratona de Ovar
Foi ao som da ária “Nessun Dorma”, de “Turandot”, a última das óperas de Puccini, que saiu para a estrada a 19.ª Meia-Maratona Cidade de Ovar. Parecendo reagir ao apelo, na voz de Plácido Domingo – “Que ninguém durma! Que ninguém durma!” –, o pelotão arrancou veloz para os 21.097 metros dum magnífico traçado que se orgulha de reunir o que Ovar tem de melhor: “Cidade, floresta, ria e mar”. Um belo sol colorindo as fachadas de azulejos, muito público nas ruas saudando efusivamente os atletas, acordes a compasso duma magnífica banda de música, tudo concorreu para tornar a festa mais animada do que nunca
A estreia de Eduardo…
Se na retaguarda a luta era pessoal, íntima, na cabeça do pelotão não havia lugar a concessões. A juventude e irreverência de Leonel Fernandes (Cyclones-Sanitop), cioso de se mostrar na sua própria terra, levou-o a imprimir o ritmo e a comandar a prova nos primeiros três quilómetros. À passagem pelo primeiro terço da prova, já só seis atletas partilhavam o comando, para o grupo se encontrar reduzido a metade aos dez quilómetros. O campeão do mundo de veteranos de 10.000 metros, António Salvador (SSCTM Ovar), jogava aqui uma cartada decisiva no sentido de reeditar os já longínquos êxitos da edição inaugural e de 1991. Eduardo Henriques (GDR Conforlimpa), outro veterano, parecia ser o único capaz de fazer frente ao homem de Ovar. Intrometendo-se na luta, um corajoso Pedro Ribeiro (FC Porto) queria ter igualmente uma palavra a dizer.
De estudo mútuo se fez a terceira légua, com Salvador a marcar a cadência, à espera duma oportunidade. Que surgiria aos 16 quilómetros… mas para Eduardo Henriques. A resposta de Salvador ao ataque do “homem das limpezas” acabou por se revelar insuficiente e, no final, Henriques seria a décima quinta individualidade a inscrever o nome na riquíssima galeria de vencedores da prova. Porém, o tempo de 1:04:27 é pouco melhor do que sofrível. Pior, mesmo, só na primeira edição da prova, em 1989, com 1:04:53 do já referido Salvador. Salvador que entraria na segunda posição, a 29 segundos do primeiro, enquanto Pedro Ribeiro lograria conservar o terceiro posto, gastando 1:05:20.
… e o “bis” de Fernanda
No sector feminino, Sara Moreira (GD Estreito) marcou a cadência nos primeiros quilómetros. Com metade da distância cumprida, porém, já Fernanda Ribeiro (Valencia Terra y Mar) seguia isolada, com uma vantagem confortável sobre as suas mais directas perseguidoras, a já referida Sara Moreira e, ainda, Marisa Barros (SC Braga) e a tetra-vencedora da Meia de Ovar, Inês Monteiro (Maratona CP).
Até ao final assistiu-se ao distanciar da atleta portuguesa mais medalhada de sempre e à queda de Sara Moreira para o quarto posto, enquanto Marisa Barros levava a melhor sobre Inês Monteiro, na luta pelo segundo posto. O tempo final de Fernanda Ribeiro, de 1:11:41, passa a constituir o quinto melhor registo de sempre na prova vareira, só superado por Inês Monteiro (1:11:22, em 2004), Albertina Dias (1:11:02, em 1994 e 1:10:05, em 1992) e pelo seu próprio record, que vem de 1998, e que é de 1:09:19. Marisa Barros a 1:01 e Inês Monteiro a 1:45, alcançaram os lugares imediatos do pódio.
Portugueses dominam Taça do Mundo INAS-FID Simultaneamente, disputou-se a II Taça da Europa de Meia-Maratona INAS-FID, para atletas portadores de deficiência mental. Com um quadro competitivo de dezoito atletas, em representação de Portugal, Espanha, França e Polónia, o sector masculino viu o polaco Tadeusz Chudzinski confirmar o favoritismo e bater a concorrência em 1:11:25 (29.º classificado da Geral). Paulo Pinheiro, António Mariz e Bruno Gaspar entrariam nas posições imediatas, garantindo para Portugal a vitória colectiva, com quinze pontos à maior sobre a Espanha e dezoito sobre a França, segundo e terceiros classificados, respectivamente.
Em femininos, só Portugal apresentou atletas em prova. Muito incentivada – ou não estivesse ela a “jogar em casa” – Maria de Lurdes Amador superou-se e, com um tempo de estreia na distância de 1:34:46, levou de vencida a concorrência por larga margem. Só 22:15 mais tarde entraria Lucinda Sousa, enquanto Mónica Branco fecharia o pódio com 2:14:04.
Organização com nota máxima
A Organização, a cargo do Clube AFIS – Atletas Fim de Semana, merece nota máxima. Os números oficiais da prova principal registaram 1542 atletas chegados à meta, aos quais se devem acrescentar 2.200 participantes na 7.ª Caminhada Cidade de Ovar e 700 crianças na 12.ª Mini-Maratona Correr pela Vida / Não à Droga.
Manuel Ramos, Presidente do clube organizador, teceu algumas considerações no final, considerando o balanço “muito positivo. A cada ano que passa, sinto que as coisas estão melhor. É aquilo que eu penso. Haverá sempre coisas a melhorar, naturalmente, mas, na prova de hoje a minha perspectiva é a de que tudo correu bem e a Meia-Maratona e toda a gente de Ovar está de parabéns.” Concretizando: “Quando falo na gente de Ovar, conto também com aquelas pessoas que estão na berma a aplaudir os atletas. Isso faz parte duma organização. Uma organização incapaz, acaba por partir por algum lado. E o lado a partir é sempre o lado mais frágil, o da população, o daqueles que não estão tão directamente ligados ao evento, à modalidade. Daí que o nosso trabalho se estenda a todos e é com todos que queremos partilhar o êxito desta nossa prova.”
JOAQUIM MARGARIDO
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O
mote estava dado e os participantes fizeram da corrida uma celebração da amizade
e do companheirismo, da partilha de esforços e da superação de objectivos.


