OSAKA 07: Resumo do 1º dia do Mundial

Sábado, 25 Agosto 2007
OSAKA 07: Resumo do 1º dia do Mundial

O dia de Reese Hoffa (EUA), no Lançamento do Peso....

 O norte-americano Reese Hoffa, nascido no Havai, foi o atleta com maior destaque neste primeiro dia de competição, ao vencer a final do lançamento do peso. Durante a manhã, Hoffa tinha conseguido facilmente o acesso à final com um lançamento a 20,89m. Já à noite, o norte-americano lançou o peso a 22,03m acontecendo o que já esperava: “Honestamente, sabia que teria de lançar 22m para ganhar”. O atleta, no flash interview revelou-se extremamente feliz, ainda por mais com 1-2 para o seu país. “Grande dia, grande lançamento. Este ano foi espectacular do início ao fim... Eu e o Adam Nelson (2º lugar) executamos uma prova muito bem. Queríamos o 1-2 e conseguimos” conclui. Adam Nelson (21,61m) e o bielórusso Andrei Mikhnevich (21,27m ) completaram o pódio.

Quanto às outras finais do dia, as provas de longa distância, tiveram resultados bastante modestos. Luke Kibet (Quénia) venceu a Maratona (à vontade) em 2:15,58 respondendo às criticas que se abateram sobre a equipa queniana que até foi considerada por muitos especialistas “a pior de sempre” daquele país graças aos atletas do leste africano estarem a preparar-se apenas para as provas do dinheiro, preferindo-as aos grandes campeonatos. Kibet, servente de profissão, não esqueceu os críticos na hora da vitória. “Ouvi pessoas a dizerem que não estávamos fortes mas quando cheguei aqui, prometi a mim mesmo que ia dar tudo, para provar que elas estavam erradas” disse pouco depois de passar a linha da meta em primeiro. A completar o pódio ficaram o qatari Mubarak Hassan (2:17.18) e o surpreendente suíço Vitor Röthlin (2:17.24) que explicou a chave do seu sucesso: “Se tu podes sonhar, tu podes fazer”. E prolongou, completando a ideia: “Em Helsínquia (há dois anos), não sonhava com nada e não acabei. No ano passado, no Europeu, tinha esperança em ficar em segundo, e conseguiu-o. Ontem, sonhei que ganharia o bronze e, pronto, também o consegui.”

Na final de 10000m, foi Tirunesh Dibaba a vencedora com 31.55,41 numa prova em que teve que sofrer muito já que, a meio da prova, levou um toque da sua compatriota Tufa (que acabaria por desistir), fazendo Dibaba cair e ficar durante algum tempo atrasada face ao numeroso pelotão. A juntar a isso, andou ainda algum tempo queixosa do estômago. “Ainda bem que correu tudo bem. Estive a sofrer imenso do estomâgo mas, como estava a representar o meu país, continuei. E agradeço a Deus por me ter ajudado” disse a atleta, reforçando que estará nos 5000m “desde que as dores no estômago passem. Se não estiver bem, não vale a pena competir”. Em segundo lugar ficou a turca Abeylegesse (31.59,40) que animou a prova desde os 8km e, em terceiro, a norte-americana Kara Gouchen (32.02,41).

Nas restantes provas do programa de hoje, disputaram-se eliminatórias, tanto para semi-finais como também para finais e os 4 primeiros eventos da prova feminina do heptatlo.

Começando pelas eliminatórias para meias-finais, deram-se os 100m, os 400m barreiras e os 1500m do sector masculino e os 800m do feminino.

Nos 100m, a grande surpresa do dia foi a desqualificação do nosso Francis Obikwelu graças a ter cometido a segunda falsa partida... o que na primeira ronda é incompreensível para alguém que (transcrevendo um artigo do site oficial da IAAF), “podia ficar colado nos blocos e passar sem problemas”... Quanto aos grandes candidatos ao ouro, Powell e Gay estiveram nas duas primeiras rondas muito bem, fazendo apenas 50 a 60m a acelerar e os restantes a “rolar”. No entanto, Asaffa Powell parece muito mais focado e, nos flash interview, fala muito pouco e tudo o que diz limita-se: “Tudo está a correr como planeado”. Quanto a Tyson Gay, depois da exclusão de Obikwelu afirmou que está a “pensar demasiado na partida”, dizendo que essa foi a razão para ter saído muito mal dos blocos nos quartos de final. Histórias à parte, Powel já correu 100m em 10,01s e Gay em 10,06s, o que demonstra estarem muito iguais.

Nos 400m barreiras, o dominicano Félix Sanchez mostrou que ainda não está acabado como o anunciaram vergonhosamente e fez o melhor tempo de todas as séries, com 48,70s batendo directamente na sua série o campeão mundial Bershawn Jackson, o qual diz ter-se “poupado para a próxima ronda”. Mas a verdade é que Sanchez mostrou-se em grande forma. “Estou de volta, sem lesões... Sempre soube que sem lesões, sou difícil de ser batido” afirmou Sanchez em desafio para os seus rivais americanos que têm as melhores marcas mundias do ano.

Nos 1500m, o melhor tempo pertenceu a Medhi Baala de França que fez um longo sprint “desnecessário” para ganhar a sua eliminatória ao campeão do mundo em título Rashid Ramzi (que não competiu a época toda devido a uma lesão no pé), em 3.38,65 contra 3.38,72. Tempos esses que foram mais rápidos dois segundos para as outras séries. A grande desilusão nesta primeira ronda, foi o oitavo lugar de Ivan Hesko (Ucrânia) numa das séries, fazendo 3.42,02.

Nos 800m, o tempo mais rápido foi feito pela atleta queniana Janeth Jepkosgei com 1.58,55. E a moçambicana Maria de Lurdes Mutola, que procura o seu 12º título global, fez o sexto tempo de toda a ronda com 2.00,00. A surpresa veio da líder mundial do ano, a russa Yuliya Krevsun, que, fazendo 2.02,45 (5ª na sua série), não passou para a meia final.

As eliminatórias para a final foram as de Triplo Salto e Lançamento do Martelo masculino e os 3000m obstáculos femininos

No Triplo Salto, o nosso Nélson Évora mostrou o porquê de as atenções estarem viradas para ele, sendo o único atleta a ultrapassar a marca pedida para a qualificação directa que era 17,10m. Genial! Fazendo um primeiro salto a 17,07m Nélson poderia poupar-se já que o panorama estava fraco e passaria por repescagem. Mas o atleta explica que só fez o segundo ensaio para “testar a corrida. E agora está OK!” perspectivando a final: “Eu gostava de bater o meu record pessoal de 17,51m e..” Medalhas? “Claro.. vou para as medalhas”. Jadel Gregório e Walter Davis foram os outros dois atletas a passarem directamente já que tiveram uma pontaria imensa, saltando exactamente a marca pedida

No Lançamento do Martelo, o melhor resultado foi feito pelo eslovaco Libor Charfreitag com a marca de 80,61m e ao contrário do salto em comprimento, houve oito atletas a passarem a marca de qualificação directa. A grande esperança japonesa para uma medalha, Koji Murofuji, fez parte desse lote de atletas, com um lançamento de 77,25m

Nos 3000m obstáculos, o tempo mais rápido foi para a romena Cristina Cassandra com 9.29,39 (a menos de um segundo do seu record pessoal). E as grandes favoritas preferiram-se resguardar. A recordista mundial, a russa Samitova-Galkina, foi 3ª na sua série (à frente da surpreendente Sara Moreira que se apurou directamente fruto do seu 4º lugar) e as outras duas russas também passaram facilmente.

Quanto ao Heptatlo, Carolina Klüft está bem lançada para revalidar o título mundial. Ao fim de quatro eventos tem 4162 pontos com vantagem de 48 pontos sobre a ucrâniana Lyudmila Blonska. Klüft lidera após ter corrido os 100m barr em 13,15s, saltado 1,95 em Altura, lançado 14,81 no Peso e feito os 200m em 23,38s.

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