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França perdeu duas medalhas num só dia.
A França foi o destaque negativo de um dia de várias finais e de algumas revalidações de títulos.
Repetiu-se a história nos 3000 metros obstáculos, com o francês Mahiedine Mekhissi-Benabad a não conceder dúvidas e não ceder o seu Ouro a qualquer um dos seus adversários. Mereceu, contudo, um cartão amarelo, por ter cruzado a linha de meta sem camisola. O atleta finalizou, assim, a prova dos obstáculo com o registo de 8.25,30 minutos, olhando para trás com o sentido de ver o seu colega de equipa Yoann Kowal, que correu hoje em 8.26,60 minutos. Só um lugar restaria no pódio, que não fosse para um francês, que foi para o polaco Krystian Zalewski (8.27,11). O turco Tarik Akdag, que há dois anos foi medalha de Prata, não foi desta vez melhor do que nono classificado.
Nos saltos horizontais, a prova de destaque era a do triplo salto masculino, onde o português Nelson Évora era um dos candidatos a uma boa final, o que não tendo deixado de acontecer, esteve longe de ser uma final de sonho para o português, que não foi além do 6º lugar. Estiveram melhores os atletas franceses e russos e foi entre eles que tudo aconteceu. A verdade é que hoje o pódio foi composto por três atletas que determinaram as suas medalhas logo ao primeiro salto. Benjamin Campaoré pulou logo os 17.46 metros que lhe deram o Ouro e a melhor marca europeia do ano. Já muito para trás, numa prova que podia ser mais em aberto, os russos Lyukman Adams (17.09 metros) e Aleksey Fyodorov (17.04 metros) chegaram às restantes medalhas, ficando pouco mais acima do que o francês Yoann Rapinier (17.01) e do que o romeno Marian Oprea (16.94 metros).

Tal como havia acontecido ontem, o terceiro dia de provas começou com uma prova de 20 quilómetros marcha, no caso de hoje no setor feminino. A disputa tinha potencial de prova aberta, como aliás foi visível durante a prova, que conservou um grupo relativamente numeroso na frente até bem despois da metade da prova. A quatro voltas do fim um trio sairia do grupo principal e seria entre esse trio que seriam debatidas as medalhas. A russa Elmira Alembekova não deixou a medalha de Ouro fugir para outro país, depois de Anisya Kirdyapkina, que estava inscrita, não ter alinhado. Alembekova concluiu os 20 quilómetros em 1:27.56 hora, seguida de Lyudmyla Olyanovksa (1:28.07) e de Anezka Drahotová (1:28.24).
Sem Isinbayeva, seria a russa Anzhelika Sidorova a garantir a vitória e a garantir de que não seria a checa Jirina Svoboda a regressar à medalha de Ouro. A atleta russa , que teve apenas uma pequena falha a 4.35 metros, só voltar a falhar saltos na fasquia de 4.65 metros, na sua terceira tentativa, fasquia que três atletas falharam. Entre elas estavam as medalhadas Ekaterini Stefanidi (Grécia) e a outra russa Angelina Zhuk-Krasnova, que não foram além dos 4.60 metros.
No lançamento do dardo, foi a checa Barbora Spotakova a atirar para a vitória, firmando um protagonismo que é quase sempre seu. A disputa pelo Ouro fez-se ao quinto ensaio, com Spotáková e a sérvia Tatjana Jelaca a fazerem os seus melhores e a ultrapassarem aquela que mais queria melhorar a medalha de 2012, a alemã Linda Stahl (63.91 metros). O balde de água fria seria, assim, servido por Barbora Spotákova (64.41 metros) e por Tatjana Jelaca (64.21 metros).
A França acabaria por ser a seleção azarada do dia, azares que decorreram de erros técnicos ou atitudes anti-desportivas, o que levou a um final de jornada polémica. Nos 3000 metros obstáculos o campeão de 2012, Mahiedine Mekhissi-Benabbad, correu em ritmos que deixaram os seus adversários fora da medalha de Ouro. Contudo os adversários do atleta francês, que via o seu congénere Yoann Kowal a chegar ao segundo lugar, seriam surpreendidos com Benabbad a retirar a camisola na reta da meta, uma atitude anti-desportiva que lhe valeria um cartão amarelo. Mais tarde, por protesto espanhol, Benabbad seria desclassificado da competição, ficando fora da corrida. Yoann Kowal ficou, assim, com a medalha de Ouro, seguido pelo polaco Krystian Zalewski (8.27,11) e o espanhol Ángel Mullera (8.29,16). Nos 110 metros barreiras não houve dúvida no vencedor, o russo Sergey Shubenkov, renovando o título de há dois anos, agora com 13,19 segundos. Chegaria depois William Sharman, com 13,27 segundos e no terceiro lugar, à frente do favorito Pascal Martinot-Lagarde chegou o seu congénere Dimitri Bascou. Ficaria, no entanto, sem medalha de Bronze, depois de ter sido identificado um pisão do atleta no meio da corrida, subindo Martinot-Lagarde para a posição de cima.
Campeões do dia (dia 3):
110 metros barreiras Masc. – Sergey Shubenkov (Rússia) – 13,19
3000 m Obstáculos Masc. – Yoann Kowal (França) – 8.26,66
Triplo Masc. – Benjamin Compaoré (França) – 17.46
Vara Fem. - Anzhelika Sidorova (Rússia) – 4.65
Dardo Fem. – Barbora Spotáková (Rep. Checa) – 64.41
20 Km Marcha Fem. – Elmira Alembekova (Russia) – 1:27.56


Enviados Especiais: Edgar Barreira (texto) e Filipe Oliveira (fotos)
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