|
Mo Farah, Robert Harting e Éloyse Lesueur confirmaram.
Este segundo dia acabou por ser um dia estranho na cidade de Zurique, que levou ao atraso das competições, prejudicando não só os horários das provas, mas também os atletas.
Não é frequente nem desejável o que se sucedeu no segundo dia de campeonatos, com ventos fortes demais e em remoinho, que não só adiaram competições, como acabaram depois por prejudicar a prestação das provas que entretanto decorreram, após o recomeço da sessão.
E dos atletas mais prejudicados neste segundo dia são os participantes no Decatlo. Os atletas tiveram cerca de 13 horas de provas neste segundo dia, tendo de gerir o facto da prova de salto com vara ter sido interrompida devido ao mau tempo e só retomada cerca de 4 horas depois. Um dos que sofreu, por queda no salto com vara, foi o medalha de bronze de 2012, o russo Ilya Shkurenyov, que voltou a chegar à mesma medalha, com quase mais 300 pontos. Os dois restantes lugares de pódio pertenceram a Kevin Mayer (8521 pontos) e a Andrei Krauchanka (8616 pontos).
O dia, porém, começou com a prova dos 20 quilómetros marcha, no setor masculino, uma prova de má memória para as cores nacionais, mas muito disputada nos lugares da frente. A prova acabaria por ter ser disputada ao segundo na chegada à linha de meta. Miguel Ángel López (Espanha) foi o mais forte, numa prova onde nem a cooperação russa, protagonizada por Aleksandr Ivanov (1:19.45) e Denis Strelkov (1:19.46) foi suficiente. João Vieira, que está prestes a chegar à medalha de Ouro, depois dos casos de doping de há quatro anos, não chegou aos 5 quilómetros de provas, desistindo.

Uma das finais mais aguardadas do dia era a dos 10000 metros, onde a dúvida era perceber se o campeão olímpico Mo Farah iria recuperar o título europeu que tinha obtido em Barcelona, no ano de 2010. A prova decorreu sempre com Mo Farah dentro da corrida, pronto para ser brilhante, como lhe é habitual ver. Veio para a frente e acelerou o ritmo e arrastou consigo dois turcos, um deles o medalha de Ouro em 2012: Polat Arikan. Mas este não seria o ano de Arikan e além de Mo Farah ter chegado ao título, com 28.08,11 minutos atrás de si chegaria o seu colega Andy Vernon (28.08,72) e o turco que restou no pressing sobre Farah, Ali Kaya (28.08,72). Farah terminaria naturalmente feliz e promete ir aos 5000 metros para renovar o seu título de 2012.
O outro atleta que pode-se considerar estar na categoria de super-estrelas é Robert Harting (Alemanha) que esteve mais contido nos festejos, mas ainda assim confirmando a sua supremacia na prova de lançamento do disco. Tal como outras provas, esta prova acabaria por ser fortemente afetada não só pelo vento, como pela chuva que se fez sentir, que deixou o círuclo de lançamento extremamente escorregadio, com algumas quedas ou lançamentos menos conseguidos. O alemão terminaria a sua prestação com apenas dois lançamentos válidos, o melhor de 66.07 metros. Desta vez ficou por rasgar a camisola, por respeito à sua avó, esclareceu Harting. Seguiram-se na classificação Gerd Kanter (64.75), que repetiu a Prata de 2012 e no terceiro lugar ficou o polaco Robert Urbanek (63.81).
Com o olhar atento de Usain Bolt, nas bancadas, depois de ter marcado presença na pista, a final dos 100 metros teve uma falsa partida, que aconteceu após o atleta britânico Harry Arikinies-Aryeetey ter-se mexido nos blocos. Também o português Yazaldes Nascimento saiu em falso, mas acabou poupado com um cartão amarelo. Com todos nos blocos, a final acabaria decidida entre franceses e britânicos, mas com Christophe Lemaitre a perder o título de 2012 para o britânico James Dasaolu (10,06). Os 10,13 segundos de Lemaitre superaram os 10,22 segundos de Harry Arikinies-Aryeetey. Nos 100 metros femininos nenhuma das medalhadas de 2012 constou nas medalhadas de 2014. A melhor atleta foi aquela que neste ano já vinha dominando. A holandesa Dafne Schippers venceu com 11,12 segundos, quatro centésimos mais rápida que aquela que prometia ser uma das principais candidatas, a francesa Myriam Soumaré. A britânica Ashleigh Nelson fechou o pódio com 11,22 segundos.
Nos 100 metros barreiras, Tiffany Porter teve de soar para bater as suas adversárias europeias. A britânica terminou a prova em 12,76 segundos, três centésimos mais rápida que Cindy Billaud (França) e seis centésimos mais rápida que a outra “Cindy”: Cindy Roleder (12,82 segundos). A medalha de Prata em 2012, Alina Talay, não foi desta vez além do 5º lugar.

Já na final do salto em comprimento feminino aconteceu revalidação de título por parte da francesa Éloyse Lesueur. A atleta esteve em desvantagem durante quatro ensaios, momento em que saltou 6.85 metros, após contrariar as dificuldades impostas pelo vento em forma de remoinho. Ivana Spanovic (Sérvia) liderou durante a primeira fase do concurso com os 6.81 metros do primeiro ensaio e acabou segunda classificada, enquanto que a russa Darya Klishina saiu novamente defraudada da sua própria perspetiva pessoal, com 6.65 metros, só conseguida ao último ensaio, relegando a alemã Malaika Mihambo para o quarto lugar, num desempate feito pela semelhança da melhor marca.
Campeões:
100 m Masc. – James Dasaolu (Grã-Bretanha) – 10,06
10000 m Masc. – Mo Farah (Grã-Bretanha) – 28.08,11
Disco Masc. – Robert Harting (Alemanha) – 66.07
20 Km Marcha Masc. – Miguel Ángel Marquez (Espanha) – 1:19.44
Decatlo – Andrei Krauchanka (Bielorrússia) – 8616
100 m Fem. – Dafne Schippers (Holanda) – 11,12
100 m Barreiras Fem. – Tiffany Porter (Grã-Bretanha) – 12,76
Comprimento Fem. – Éloyse Lesuer (França) – 6.85




Enviados Especiais: Edgar Barreira (texto) e Filipe Oliveira (fotos)
|