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Yazaldes Nascimento voltou a colocar Portugal no mapa da velocidade.
Portugal teve em Yazaldes Nascimento um atleta preparado para fazer lembrar que o valor português nos 100 metros não se resumiu a Francis Obikwelu. Depois de uma pseudo-falsa partida, atleta foi 8º classificado.
Primeiro muito confiante, depois muito preocupado, na final já tinha o caminho trilhado. Yazaldes Nascimento chegou à final dos 100 metros com uma repescagem no limite e um grito de alegria pelo que conseguiu fazer, mesmo a partir lento na meia-final. Na final, depois de uma aparição fugaz do astro Usain Bolt, no Estádio de Letzigrund, já na promoção do Meeting de Zurique, o português protagonizaria um dos episódios mais caricatos do dia.
Na apresentação de corrida o português estava em grande momento de concentração, sabia que o seu lugar ao Sol (em noite de chuva) seria possível se saísse rápido. A recomendação e a motivação haviam sido impressas pelo seu treinador, João Abrantes. Já nos blocos o português sai primeiro que os restantes, depois do britânico Harry Aikines-Aryeetey deixar de pressionar os blocos.”Tinha quase a certeza que tinha sido eu a fazer a falsa partida”, referiu Yazaldes Nascimento que, com as mãos na cabeça, dirigiu-se para os blocos, sem a convicção de uma nova partida. Seguiu na direção do túnel de saida, retirou o dorsal e é então que lhe é confirmada a continuidade, pela ação anómala de Aikines-Aryeetey, antes mesmo do português cometer a falsa partida. ”Tudo o que tinha gastei na primeira partida”, considerou o português, que antes da segunda partida tentou motivar-se de novo.
A partir daí a história é diferente daquela que eventualmente poderia ter sido pintada se o atleta português tivesse saido nas condições regulares para todos os atletas nos blocos de partida. Saiu mais cauteloso e chegou com a pior marca que fez em Zurique nestes Europeus,com 10,46 segundos. ”O meu treinador acreditava que podia ter chegado a uma medalha”, lamentou Yazaldes Nascimento que também acreditou na possibilidade de hoje ser um dos outsiders, apesar de confessar a inexperiência no momento mais importante da sua carreira, que nunca foi brilhante pelo talento, mas sim pelo trabalho. A vitória, essa, pertenceu ao britânico James Dasaolu, com 10,06 segundos, seguido de Christophe Lemaitre (10,13 segundos) e com o pódio finalizado em 10,22 segundos por aquele que acabou por ser um dos salvadores da final de Yazaldes, o britânico Aikines-Aryeetey.
Com 900 euros mensais de apoio no âmbito da preparação olímpica, por esta final, Yazaldes Nascimento encara agora o futuro com mais naturalidade e com condições de enfrentar os melhores velocistas europeus. O atleta tem contado com o apoio do clube e também com o apoio dos seus pais, para sobreviver à falta de apoios que tem tido até aqui. O velocista lembrou o apoio que Francis Obikwelu lhe deu no início da carreira, fornecendo-lhe suplementação que lhe permitiu dar os primeiros passos para combater a assimetria física (era alto e com pouca força). Agora o velocista português lutará pela estafeta nacional, na qual deposita esperanças: ”acho que podemos fazer algo de muito bom na estafeta”. Aí voltará a formar equipa com Francis Obikwelu, que pode muito bem estar nos seus últimos Europeus, muito bem sucedido, a ver pelo que Yazaldes fez hoje na pista. Depois dessa prestação tentará ser um dos escolhidos para o Meeting de Rieti, dado que o atleta considera ”faltar algo”, na sua participação em Zurique, nomeadamente baixar dos 10,20 segundos e, quem sabe, atacar o lugar de segundo melhor velocista portuguê de sempre.
RESULTADOS (100 metros Masc – Final):
1. James Dasaolu (Grã-Bretanha) – 10,06
2. Christophe Lemaitre (França) – 10,13
3. Harry Aikines-Aryeetey (Grã-Bretanha) – 10,22
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8. Yazaldes Nascimento (Portugal) – 10,46
Enviados Especiais: Edgar Barreira (texto) e Filipe Oliveira (fotos)
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