|
Nelson Évora muito crítico na primeira conferência de imprensa.
A primeira conferência de imprensa promovida pela Federação Portuguesa de Atletismo, em Zurique, teve Nelson Évora muito crítico perante a política desportiva do país.
Hoje a Federação Portuguesa de Atletismo fez realizar no auditório do seu hotel a primeira conferência de imprensa, com a presença dos primeiros atletas portugueses a entrar em ação. A conferência decorreu com as declarações mais técnicas de cada atleta à sua prestação. Quando chegou a vez de Nelson Évora, o português não resistiu a uma resposta prolongada sobre a ânsia desmedida por medalhas.
”Todos os atletas que estão aqui são super-heróis, com muito pouco retorno”, indicou Nelson Évora na defesa do esforço de todos para chegarem até este Europeu. Sem conter palavras, num discurso educado, mas incisivo, Nelson Évora deu um “puxão de orelhas” contra o que alega ser falta de cultura desportiva, quer nos adeptos do desporto em Portugal, quer na comunicação social. Mas o alvo maior foi bem focado por Nelson Évora: ”Nós, que nem que ganhamos um décimo do que os futebolistas ganham, não nos é desejada a boa sorte”. Esta critica dirigia-se ao Governo, que não terá dado destaque à presença de 44 atletas em Zurique, pelo que conclui: ”Se falharmos teremos o direito de falhar”. Esta frase arrancou uma longa salva de palmas de todos os atletas da sala e fez Susana Costa, companheira de treino de Nelson Évora, chorar, numa descarga emocional que serviria como sinal de angústia para os apoios concedidos ao desporto nacional. Nelson Évora considera dispensar as palmas no regresso a Lisboa, se algo de bom acontecer, daqueles que durante o ano não consideram o atletismo como uma modalidade prioritária em Portugal. Mais tarde seria José Dias, responsável técnico desta seleção, a corroborar as palavras de Nelson Évora: ”Faria minhas as palavras do Nélson, é a realidade que temos”.
Sobre a participação de Nelson Évora, cuja qualificação para a final do triplo salto decorre amanhã, o atleta considera estar ”melhor do que há um ciclo atrás”, indicando que pensa na final, não descartando pensar nos mais altos voos. ”Em abril estava de moletas com uma artrofia de três centímetros de diferença muscular”, considerou o atleta que recuperou massa muscular e que indica não conhecer outro atleta que tenha ”passado pelo que passei”, regressando depois às grandes competições.
Amanhã os 16.65 metros serão suficientes para passagem direta à final, ou a tentativa de ficar nos 12 primeiros lugares da competição. Nelson Évora competirá no grupo B e promete luta pela final, deixando o resto para o destino resolver na final, que até o pode levar a uma medalha “inesperada”. ”É só olhar para o meu palmarés”, clarifica Nelson Évora, que em 2006, na cidade de Gotemburgo, foi 4º classificado, nunca tendo ganho qualquer medalha em Europeus de Ar Livre.
Outros apontamentos retiram-se desta tarde de conferência de imprensa, que serão incluidos em próximas peças jornalísticas do Atleta-Digital.
Enviado Especial: Edgar Barreira (texto e foto)
|