Espanha voltou a vencer Troféu Ibérico

Sábado, 29 Março 2014
Espanha voltou a vencer Troféu Ibérico

6 atletas conquistaram qualificação para o Europeu.

O Estádio 1º de Maio acolheu esta tarde quase duas centenas de atletas que correram os 10000 metros em diferentes séries (atualizado). 


” Há quanto tempo não tinhamos tantos atletas a correr 10000 metros em Portugal?”, indicou no final António Graça, técnico-nacional de meio-fundo recentemente nomeado para o cargo. E esta frase resume bastante bem o principal sumo a retirar da competição que hoje se realizou em Lisboa, no Estádio 1º de Maio. Tratou-se do Troféu Ibérico de 10000 metros, que permitiu ainda definir os campeões espanhóis na distância.

O dia começaria com a prova para veteranos, antes de se realizarem as séries secundárias do escalão principal, além da prova para juniores e sub-23 masculinos. E aqui o destaque vai para Miguel Marques (Benfica), que foi o primeiro júnior a cruzar a linha de meta, numa prova dominada por atletas sub-23 espanhóis e marroquinos. Marques correu a distância em 30.54,12 minutos e garantiu marca de qualificação para o Mundial de Juniores deste ano. Johan Caldeira (CC São João da Madeira) seria o melhor português nesta prova, com 30.53,06 minutos.

Mas no Estádio 1º de Maio os presentes estavam mais expectantes com as provas principais. E em séniores femininos Portugal quase acreditou na vitória neste troféu, que acabaria por não acontecer por pouco mais de seis segundos. Ainda assim esta ausência de vitória deveu-se a uma forte equipa espanhola, apesar de ver duas portuguesas na frente. Jéssica Augusto venceu hoje com a marca de 31.57,02 minutos, enquanto Salomé Rocha (Sporting) acabou em 32.19,98 minutos. ” Senti-me muito bem, foi um bom regresso à pista”, disse Augusto aos jornalistas, confessando que a escolha da sua participação neste evento ocorreu apenas há 15 dias atrás. Mas ”agora depende de como recuperar da Maratona de Londres”, disse-o Jéssica Augusto, que veio de uma experiência menos boa na Meia-Maratona de Nova Iorque. Mas para Zurique das duas uma: ou tentar gloriar-se na prova da Maratona, ou tentará mesmo os 10 mil metros, depois de hoje conseguir o minimo facilmente. Pouco depois chegaria Salomé Rocha (32.19,98), que foi seguida de perto por um forte quarteto, composto por Dolores Checa, Gema Barrachina, Lídia Rodriguez e Diana Martin. ” Dei tudo até ao fim e estou bastante contente com este recorde pessoal” indicou a mais recente promessa do fundo nacional. Além destas duas marcas de qualificação, também Catarina Ribeiro (32.54,60) e Cláudia Pereira (33.10,12) chegaram à marca necessária para ainda sonharem com Zurique, ainda que se espere uma grande luta pelos três lugares vagos nesta distância. Hoje a lebre acabou por sair cedo demais, um facto realçado por António Graça, que confirmou que o objetivo era que a mesma fosse até aos 8 quilómetros, no ritmo de 32 minutos como tempo final. Objetivo, ainda assim, obtido com sucesso, onde Jéssica Augusto foi de facto um motor em ritmo de relógio.

Portugal

Melhor acabaria por estar a lebre da prova masculina, apesar de uma correspondência ligeiramente acima dos 28 minutos por parte do vencedor. Não se poderia duvidar de que o espanhol Alemayehu Bezabeh era claramente favorito e foi-o. Foi vencedor deste Troféu Ibérico, com 28.12,85 minutos, levando atrás de si outros atletas do campeonato de Espanha. Roberto Alaiz (28.27,76), Mohammed Marhoum (28.28,22) e Manuel Penas (28.37,43) fariam o pódio espanhol. Antes do melhor português ainda se classificou o britânico Dewi Griffiths (28.48,59 minutos), todos eles abaixo dos 28.50 minutos que no caso português levaria à marca de qualificação ‘A’ para o Europeu de Ar Livre. Foi um feito não conseguido pelo melhor português, Manuel Damião, que ficou de fora da marca A por 70 centésimos. Os 28.50,70 minutos acabaram por não ser suficientemente felizes para o campeão nacional de corta-mato. ”Esta marca não é algo que me deixe muito satisfeito”, indicou Damião no final, que acusou algum cansaço por já ter feito a terceira prova do mês.”Julgo que preparando melhor a pista conseguirei melhor bastante esta marca”, disse esperançado, indicando que a marca que o deixaria feliz seria a de 28.30 minutos. Portugal acabaria aqui por ficar bem mais distanciado da Espanha que no setor feminino. Mas nem por isso se retira o brio de Manuel Damião e do segundo melhor português, Ricardo Ribas, ambos com marcas de qualificação B para o Europeu de Ar Livre. Na bancada esteve Sara Moreira, atenta às provas e atenta também à prova de Pedro Ribeiro, que se classificou no 18º lugar. À sua frente ficaram ainda os portugueses Tiago Costa (29.06,35 minutos) e José Moreira (29.21,63 minutos).

A prova acabou por beneficiar de condições excecionais para a prática dos 10000 metros, que originou várias marcas de boa valia e vários recordes pessoais. O Estádio 1º de Maio voltou a ser um bom palco para os 10000 metros , numa pista que está agora castrada da possibilidade de receber provas de lançamentos.

FERNANDA RIBEIRO REVIVEU OS TEMPOS PASSADOS

Presente na pista e nas entregas de prémios esteve Fernanda Ribeiro, a portuguesa que obteve para Portugal a única medalha olímpica precisamente nos 10000 metros. Presente em anteriores edições do Troféu Ibérico, que foi interrompido e entretanto retomado, a experiente atleta, agora dirigente da Federação Portuguesa de Atletismo mostrou-se contente pelo reviver do espírito da prova. ”Eu acho que antigamente a lógica da prova era igual. Quando entramos nesta competição somos mesmo uma equipa”, indicou ao Atleta-Digital, reforçando o entusiasmo que provoca nos atletas a tentativa de superar a equipa espanhola.

Manuel Damião já o havia referido e Fernanda Ribeiro reforçou, sobre a importância de haver um Troféu Ibérico na distância. ” Há muito poucas competições de 10000 metros e é uma maneira dos atletas fazerem melhores marcas e é importante. Vi aqui atletas espanholas a ajudar portuguesas e portuguesas a ajudar espanholas e isso é muito positivo...”.

António Graça, agora em funções de Técnico Nacional, apenas lamentou a ausência de público, em bancadas despidas e com cerimónias de entrega de prémios muito esvaziadas de interesse. No momento da consagração dos portugueses, eram cerca de 20 as pessoas presentes, já contabilizando o número de atletas presentes para congratularem os colegas.

Sobre a crise do meio-fundo, tanto Fernanda Ribeiro como António Graça são cuidadosos na análise. ” Neste momento tenho de encarar o cargo como um grande desafio. Andamos há 25 anos a falar que o setor do meio-fundo está em crise. Julgo que se pensa que quem vier deve debelar a crise. Mas não será de hoje para amanha”, alertou Graça. ” Há uma diferença entre o que eramos e o que somos. É sempre bom fazer mínimos para o Europeu. A crise de atletas não é só em Portugal, na Europa nota-se a diferença nos 10000 metros. Pelo menos vi atletas a correr pista para fazerem mínimos..., congratulou a ex-campeã olímpica.

RESULTADOS:

Seniores Fem:

1. Jéssica Augusto (Portugal) – 31.57,02
2. Salomé Rocha (Portugal) – 32.19,98
3. Dolores Checa (Espanha) – 32.22,21
4. Gema Barrachina (Espanha) – 32.22,21
5. Lídia Rodrguez (Espanha) – 32.38,45
(...)
8. Catarina Ribeiro (Portugal) – 32.54,60
10. Cláudia Pereira (Portugal) – 33.10,12
Coletiva: Espanha (2:10.15,06) - Portugal (2:10.21,72)

Seniores Masc:
1. Alemayehu Bezabeh (Espanha) – 28.12,85
2. Roberto Alaiz (Espanha) – 28.27,76
3. Mohammed Marhoum (Espanha) – 28.28,22
4. Manuel Penas (Espanha) – 27.37,43
5. Fewi Griffits (Grã-Bretanha) – 28.49,58
(...)
6. Manuel Damião (Portugal) – 28.50,70
10. Ricardo Ribas (Portugal) – 28.53,24
Coletiva: Espanha (1:53.46,26) - Portugal (1:56.10,92)

Enviado Especial: Edgar Barreira (texto)
Foto: Marcelino Almeida

| Mais


Comentarios (0)add feed
Escreva seu Comentario
quote
bold
italicize
underline
strike
url
image
quote
quote
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley
Smiley


Escreva os caracteres mostrados


 
< anterior   Seguinte >









facebook atleta-digital rss atleta-digital
 
SRV2