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6 atletas conquistaram qualificação para o Europeu.
O Estádio 1º de Maio acolheu esta tarde quase duas centenas de atletas que correram os 10000 metros em diferentes séries (atualizado).
” Há quanto tempo não tinhamos tantos atletas a correr 10000 metros em Portugal?”, indicou no final António Graça, técnico-nacional de meio-fundo recentemente nomeado para o cargo. E esta frase resume bastante bem o principal sumo a retirar da competição que hoje se realizou em Lisboa, no Estádio 1º de Maio. Tratou-se do Troféu Ibérico de 10000 metros, que permitiu ainda definir os campeões espanhóis na distância.
O dia começaria com a prova para veteranos, antes de se realizarem as séries secundárias do escalão principal, além da prova para juniores e sub-23 masculinos. E aqui o destaque vai para Miguel Marques (Benfica), que foi o primeiro júnior a cruzar a linha de meta, numa prova dominada por atletas sub-23 espanhóis e marroquinos. Marques correu a distância em 30.54,12 minutos e garantiu marca de qualificação para o Mundial de Juniores deste ano. Johan Caldeira (CC São João da Madeira) seria o melhor português nesta prova, com 30.53,06 minutos.
Mas no Estádio 1º de Maio os presentes estavam mais expectantes com as provas principais. E em séniores femininos Portugal quase acreditou na vitória neste troféu, que acabaria por não acontecer por pouco mais de seis segundos. Ainda assim esta ausência de vitória deveu-se a uma forte equipa espanhola, apesar de ver duas portuguesas na frente. Jéssica Augusto venceu hoje com a marca de 31.57,02 minutos, enquanto Salomé Rocha (Sporting) acabou em 32.19,98 minutos. ” Senti-me muito bem, foi um bom regresso à pista”, disse Augusto aos jornalistas, confessando que a escolha da sua participação neste evento ocorreu apenas há 15 dias atrás. Mas ”agora depende de como recuperar da Maratona de Londres”, disse-o Jéssica Augusto, que veio de uma experiência menos boa na Meia-Maratona de Nova Iorque. Mas para Zurique das duas uma: ou tentar gloriar-se na prova da Maratona, ou tentará mesmo os 10 mil metros, depois de hoje conseguir o minimo facilmente. Pouco depois chegaria Salomé Rocha (32.19,98), que foi seguida de perto por um forte quarteto, composto por Dolores Checa, Gema Barrachina, Lídia Rodriguez e Diana Martin. ” Dei tudo até ao fim e estou bastante contente com este recorde pessoal” indicou a mais recente promessa do fundo nacional. Além destas duas marcas de qualificação, também Catarina Ribeiro (32.54,60) e Cláudia Pereira (33.10,12) chegaram à marca necessária para ainda sonharem com Zurique, ainda que se espere uma grande luta pelos três lugares vagos nesta distância. Hoje a lebre acabou por sair cedo demais, um facto realçado por António Graça, que confirmou que o objetivo era que a mesma fosse até aos 8 quilómetros, no ritmo de 32 minutos como tempo final. Objetivo, ainda assim, obtido com sucesso, onde Jéssica Augusto foi de facto um motor em ritmo de relógio.

Melhor acabaria por estar a lebre da prova masculina, apesar de uma correspondência ligeiramente acima dos 28 minutos por parte do vencedor. Não se poderia duvidar de que o espanhol Alemayehu Bezabeh era claramente favorito e foi-o. Foi vencedor deste Troféu Ibérico, com 28.12,85 minutos, levando atrás de si outros atletas do campeonato de Espanha. Roberto Alaiz (28.27,76), Mohammed Marhoum (28.28,22) e Manuel Penas (28.37,43) fariam o pódio espanhol. Antes do melhor português ainda se classificou o britânico Dewi Griffiths (28.48,59 minutos), todos eles abaixo dos 28.50 minutos que no caso português levaria à marca de qualificação ‘A’ para o Europeu de Ar Livre. Foi um feito não conseguido pelo melhor português, Manuel Damião, que ficou de fora da marca A por 70 centésimos. Os 28.50,70 minutos acabaram por não ser suficientemente felizes para o campeão nacional de corta-mato. ”Esta marca não é algo que me deixe muito satisfeito”, indicou Damião no final, que acusou algum cansaço por já ter feito a terceira prova do mês.”Julgo que preparando melhor a pista conseguirei melhor bastante esta marca”, disse esperançado, indicando que a marca que o deixaria feliz seria a de 28.30 minutos. Portugal acabaria aqui por ficar bem mais distanciado da Espanha que no setor feminino. Mas nem por isso se retira o brio de Manuel Damião e do segundo melhor português, Ricardo Ribas, ambos com marcas de qualificação B para o Europeu de Ar Livre. Na bancada esteve Sara Moreira, atenta às provas e atenta também à prova de Pedro Ribeiro, que se classificou no 18º lugar. À sua frente ficaram ainda os portugueses Tiago Costa (29.06,35 minutos) e José Moreira (29.21,63 minutos).
A prova acabou por beneficiar de condições excecionais para a prática dos 10000 metros, que originou várias marcas de boa valia e vários recordes pessoais. O Estádio 1º de Maio voltou a ser um bom palco para os 10000 metros , numa pista que está agora castrada da possibilidade de receber provas de lançamentos.
FERNANDA RIBEIRO REVIVEU OS TEMPOS PASSADOS
Presente na pista e nas entregas de prémios esteve Fernanda Ribeiro, a portuguesa que obteve para Portugal a única medalha olímpica precisamente nos 10000 metros. Presente em anteriores edições do Troféu Ibérico, que foi interrompido e entretanto retomado, a experiente atleta, agora dirigente da Federação Portuguesa de Atletismo mostrou-se contente pelo reviver do espírito da prova. ”Eu acho que antigamente a lógica da prova era igual. Quando entramos nesta competição somos mesmo uma equipa”, indicou ao Atleta-Digital, reforçando o entusiasmo que provoca nos atletas a tentativa de superar a equipa espanhola.
Manuel Damião já o havia referido e Fernanda Ribeiro reforçou, sobre a importância de haver um Troféu Ibérico na distância. ” Há muito poucas competições de 10000 metros e é uma maneira dos atletas fazerem melhores marcas e é importante. Vi aqui atletas espanholas a ajudar portuguesas e portuguesas a ajudar espanholas e isso é muito positivo...”.
António Graça, agora em funções de Técnico Nacional, apenas lamentou a ausência de público, em bancadas despidas e com cerimónias de entrega de prémios muito esvaziadas de interesse. No momento da consagração dos portugueses, eram cerca de 20 as pessoas presentes, já contabilizando o número de atletas presentes para congratularem os colegas.
Sobre a crise do meio-fundo, tanto Fernanda Ribeiro como António Graça são cuidadosos na análise. ” Neste momento tenho de encarar o cargo como um grande desafio. Andamos há 25 anos a falar que o setor do meio-fundo está em crise. Julgo que se pensa que quem vier deve debelar a crise. Mas não será de hoje para amanha”, alertou Graça. ” Há uma diferença entre o que eramos e o que somos. É sempre bom fazer mínimos para o Europeu. A crise de atletas não é só em Portugal, na Europa nota-se a diferença nos 10000 metros. Pelo menos vi atletas a correr pista para fazerem mínimos..., congratulou a ex-campeã olímpica.
RESULTADOS:
Seniores Fem:
1. Jéssica Augusto (Portugal) – 31.57,02
2. Salomé Rocha (Portugal) – 32.19,98
3. Dolores Checa (Espanha) – 32.22,21
4. Gema Barrachina (Espanha) – 32.22,21
5. Lídia Rodrguez (Espanha) – 32.38,45
(...)
8. Catarina Ribeiro (Portugal) – 32.54,60
10. Cláudia Pereira (Portugal) – 33.10,12
Coletiva: Espanha (2:10.15,06) - Portugal (2:10.21,72)
Seniores Masc:
1. Alemayehu Bezabeh (Espanha) – 28.12,85
2. Roberto Alaiz (Espanha) – 28.27,76
3. Mohammed Marhoum (Espanha) – 28.28,22
4. Manuel Penas (Espanha) – 27.37,43
5. Fewi Griffits (Grã-Bretanha) – 28.49,58
(...)
6. Manuel Damião (Portugal) – 28.50,70
10. Ricardo Ribas (Portugal) – 28.53,24
Coletiva: Espanha (1:53.46,26) - Portugal (1:56.10,92)
Enviado Especial: Edgar Barreira (texto)
Foto: Marcelino Almeida
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