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A modalidade não arrecadou prémios na edição deste ano.
Os “óscares” do desporto mundial não tiveram este ano vencedores do atletismo, em semana onde o cubano Javier Sottomayor teceu duras críticas à modalidade.
Não é inédito, mas também não tem sido habitual. Apesar de vários nomeados para os prémios Laureus, o atletismo não conseguiu qualquer um dos prémios em disputa, depois de há um ano atrás ter conquistado os dois principais prémios: o de melhor atleta masculino (Usain Bolt) e o de melhor atleta feminina (Jessica Ennis). Desta vez nem o astro jamaicano provocou o devido furor, numa lista de candidatos muito fortes, onde também constava o futebolista português Cristiano Ronaldo.
A cerimónia de entrega dos prémio realizou-se hoje em Kuala Lumpur, na Malásia, um voo continental que veio do Rio de Janeiro. Relembre-se que a cerimónia dos prémios Laureus já passou por Portugal, nos anos de 2004 e 2005, depois de deixar a sua casa-mãe, o Mónaco, que acolheu as quatro primeiras edições.
A ausência de um prémio, que também não aconteceu nas categorias menos relevantes, volta a levantar a polémica sobre o impacto da modalidade junto do grande público, apesar do número de telespectadores e de visitantes web estar, aparentemente, em aumento, segundo estatísticas oficiais.
Depois de outros grandes nomes do atletismo mundial virem à praça pública mostrar o descontentamento perante o caminho que a modalidade toma nesta altura, esta semana foi o cubano Javier Sottomayor, o ainda recordista mundial de salto em altura, a tornar público o seu descontentamento. “De uma forma geral o atletismo está em crise. Estar oito ou dez anos entre os melhores do Mundo é hoje em dia raro, há falta de atletas assim. Com a ausência deles, diminuem os apoiantes. Na minha época, éramos muitos”, indicou a uma agência noticiosa local. E sobre o astro da velocidade mundial, Usain Bolt, Sottomayor considera-o mesmo o melhor do Mundo, ao lado de outros grandes valores da sua época, mas temendo que a renovação ao mesmo nível competitivo possa não ocorrer.
Tudo isto ocorre numa altura em que a corrida ao lugar de Lamine Diack, o atual presidente da IAAF, começa a tomar cada vez mais força. Também esta semana o presidente da mais alta organização mundial da modalidade voltou a considerar que 2015 será o ano da sua saída do cargo, abrindo espaço a novos candidatos, com novas ideias para a modalidade. E na linha da frente para o cargo presidencial estão nomes como Sergey Bubka e Sebastian Coe, este último foi uma das principais caras organizativas dos Jogos Olímpicos, em 2012. Ambos têm em comum terem sido dos melhores atletas mundiais à sua época e ambos são europeus. Mas Diack já avisou que ele próprio indicará o nome que deverá ocupar a sua cadeira, apesar de dar liberdade de escolha aos conselheiros, que poderão mudar a opinião de Diack.
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