[SOPOT14] Resumo – dia 3

Domingo, 09 Março 2014
[SOPOT14] Resumo – dia 3

O recorde do Mundo dos EUA a coroarem a vitória por medalhas.

Finalmente o recorde do Mundo aconteceu na pista de Sopot, num Mundial com várias deceções a esse nível. Encerrou-se mais uma edição de um Mundial, que voltou a coroar os Estados Unidos da América. 

O Mundial de pista coberta, assim como noutras competições, foi novamente dominado pelos Estados Unidos da América, que mesmo não apresentando as suas melhores figuras, conseguiu conquistar muitas das medalhas em disputa. Foram no total 12 medalhas (8 de Ouro, 2 de Prata e 2 Bronze), aproveitando para se destacar, num evento onde não ocorrem os lançamentos longos, onde normalmente há menos tradição norte-americana. A Rússia, com 3 de medalhas de Ouro e 2 de medalhas de Prata seguiu-se no medalheiro, com a Etiópia a obter também cinco medalhas no total (2 medalhas de Ouro, 2 medalhas de Prata e 1 medalha de Bronze). Para a Etiópia fez-se história, passando a terceiro país com mais medalhas de Ouro nesta competição, ultrapassando as 19 medalhas de Ouro da extinta União Soviética.

A SOPOT VALEU O RECORDE NORTE-AMERICANO NOS 4X400 METROS

O único recorde mundial a cair no Ergo Arena aconteceu apenas ao baixar do pano, pela equipa norte-americana, na estafeta de 4x400 metros. Acabou por ser o ponto alto dos campeonatos, numa altura em que o pavilhão já perdia o folgor de três dias consecutivos de competição. O quarteto norte-americano não deu hipótese às equipas adversárias e terminou em 3.02,13 minutos, retirando sete décimas de segundo ao anterior recorde, que também pertencia aos Estados Unidos da América. Na verdade em 2006 a equipa norte-americana correu mais rápido, com 3.01,96 minutos, mas à altura não validado por ausência de teste anti-doping. O quarteto de hoje foi composto pelos atletas Kyle Clemons, David Verburg, Kind Butler III e Calvin Smith. No segundo lugar chegaria a Grã-Bretanha, com 3.03,49 minutos e no lugar de bronze a equipa da Jamaica que, tal como no setor feminino, saiu da pista com recorde jamaicano, ao totalizar o tempo de 3.03,69 minutos.

Mas os Estados Unidos da América obteriam outra vitória interessantes neste último dia. Já na meia-final dos 60 metros barreiras o norte-americano Omo Osaghae tinha demonstrado ser um bom sucessor de Arries Merrit, seu conterrâneo, que estava ausente de Sopot. E afinal a sua inexperiência em grandes campeonatos não se fez sentir na final desta prova. Não tendo sido brilhante, longe de recorde de campeonatos, o norte-americano conseguiu aguentar a vitória no final, valendo-lhe o tronco mais à frente em relação aos franceses Pascal Martinot-Lagarde e Garfield Darien. No final os medalhados ficaram separados por uma centésima de segundo entre lugares: 7,45 – 7,46 – 7,47 segundos, respetivamente.

Hoje foi também o dia do norte-americano Bernard Lagat, de 39 anos de idade (faz este ano os 40) alcançar mais uma medalha numa grande competição internacional. Nos 3000 metros, sem a ponta final que já teve na sua juventude, que categoriza a maioria dos seus adversários, o atleta bateu-se pelas medalhas como um jovem, só cedendo a medalha de Ouro, que foi para o peito do queniano Caleb Ndiku. Este atleta acabaria mesmo por dar a única medalha de Ouro para este país. O queniano correu em 7.54,94 minutos, o norte-americano em 7.55,22 minutos e o terceiro classificado foi o etíope Dejen Gebremeskel, hoje com 7.55,39 minutos, deixando as esperanças do norte-americano Galen Rupp de parte, numa prova onde não marcou presença o britânico Mo Farah.

Se havia prova em aberto para este Mundial essa prova era o triplo salto masculino, que tinha ausentes muitas das principais figuras, numa disciplina sempre ditada pelas lesões frequentes, onde o português Nelson Évora tem sido vítima. Cuba apresentava dois saltadores da nova geração (Ernesto Revé e Pedro Pichardo), que combatiam na pista um nome muito conhecido no atletismo internacional, o romeno Marian Oprea, que foi hoje uma figura mais apagada, relativamente ao que fez ontem na qualificação. E o concurso até parecia destinado para um dos cubanos, não fosse a reação intempestivamente competitiva do russo Lyukman Adams, que fez 17.37 metros no último ensaio, deixando a pressão em cima dos cubanos. Revé já tinha abandonado a prova, Pichardo ainda melhorou, mas para 17.24 metros, a marca que deixou Oprea de fora do pódio. Acabou, por isso, por ser uma prova interessante, apesar de longe dos voos de outras grandes competições, como há quatro anos quando o francês Teddy Tamgho “voou” 17.90 metros.

Já a desilusão dos campeonatos identifica-se muito bem na prova de salto em altura, na figura de Ivan Ukhov, que dominou o atletismo internacional neste Inverno de pista coberta. O russo nunca escondeu que o seu objetivo era chegar a Sopot para tentar o recorde do Mundo de Javier Sottomayor, mas hoje talvez não esperasse que Mutaz Barshim (Qatar) estivesse em tão bom momento de forma, obrigando-o a disputar alturas que talvez não quisesse, com ambos a alcançarem os 2.38 metros. E a verdade é que até aqui o mérito ia todo para Barshim, que começou o concurso a 2.20 metros e passou à primeira todas as fasquias até 2.38 metros, falhando apenas nos 2.40 metros, enquanto Ukhov foi alternando, prescindindo de algumas alturas, só ultrapassando os 2.38 metros à terceira tentativa e também falhando os 2.40 metros. Desta forma não só não chegou ao recorde, como não chegou ao título, que foi para o atleta do Qatar. No terceiro lugar ficaria o ucraniano Andriy Protsenko, com 2.36 metros, um novo recorde pessoal. Para Barshim foi mesmo o recorde asiático a cair, para seu agrado.

Por fim a prova de 800 metros, prova onde o público polaco acalentava esperanças no Ouro, apesar do etíope Mohammed Aman prometer não ser osso fácil de roer. E não foi, apesar dos dois polacos em pista terem-lhe dificultado a vida ao máximo, com uma tática quase perfeita, não fosse a capacidade do etíope. O atleta terminou com 1.46,40 minuto, 36 centésimos mais rápido que a referência polaca, Adam Kszczot, que viu chegar o seu companheiro de equipa, Marcin Lewandowski, logo de seguida. Mas Lewandowski acabaria desclassificado, cedendo a medalha de Bronze para o britânico Andrew Osagie, que não teve direito à volta à pista, mas saboreou a medalha no pódio, para insatisfação do público polaco.

O PASSEIO DE DIBABA E AS SURPRESAS DA RENOVAÇÃO DO ATLETISMO MUNDIAL

Tal como a final de ontem dos 1500 metros, hoje apostar numa vencedora nos 3000 metros tornava-se relativamente fácil, agora com outra figura marcante do atletismo mundial. A etíope Genzebe Dibaba partia para estes campeonatos com o estatuto de recordista, mas hoje não veio para a pista arriscar marcas. Foi a última a sair, garantindo que o título não lhe fugiria por uma falsa partida ou por uma eventual queda nos metros iniciais, acompanhou o ritmo lentíssimo dos metros iniciais e quando achou ser oportuno largou as suas adversárias, para uma vitória confortável e lenta, em 8.55,04 minutos. Quem não tenha visto a prova, mas olhe para os resultados poderá achar que até houve disputa por parte da queniana Hellen Obiri, campeã em 2012, hoje segunda classificada com 8.57,72 minutos, mas tal não foi uma verdade sequer. Mais para trás chegou à medalha de bronze outra das candidatas naturais, Maryam Jamal (Bahrain), que hoje concluiu a distância em 8.59,16 minutos.

Mas hoje também se sentiu renovação. Ontem muito se ouviu falar da russa Darya Klishina e da sérvia Ivana Spanovic, na prova do salto em comprimento. Mas ambas foram hoje infelizes, cada uma à sua maneira, mostrando mais uma vez que estar bem num dia não significa estar bem no dia seguinte. Entre as duas, Klishina voltou a ser um vulto de si própria, não indo além dos 6.51 metros, nunca estando dentro das contas das medalhas do concurso. Spanovic queria gozar de melhor sorte, apesar de estar dentro das medalhas desde os 6.71 metros obtidos ao terceiro ensaio. Mas só viria novamente a melhorar ao último ensaio, com 6.77 metros, a quatro centímetros da grande revelação, a britânica Katarina Johnson-Thompson que terá agradecido não ter sido convocada para o Pentatlo, já que obteve uma importante medalha de prata na sua jovem carreira. E a sua prestação obrigou a um esforço adicional da francesa Éloyse Lesueur, que respondeu no quarto ensaio com 6.85 metros, segurando a vitória, que vinha da edição passada com cunho norte-americano.

Também ninguém terá levado a sério a estratégia da norte-americana Chanelle Price quando veio para a frente da prova de 800 metros puxar o ritmo, com passagens relativamente rápidas em 27,88, 57,73 segundos, e 1.28,91 minuto à medida que ultrapassavam cada 200 metros. Os últimos 200 metros, para completar a distância dos 800 metros seriam de resistência para Price que teve de aguentar o público a puxar pela sua adversária, a polaca Angelika Cichocka, hoje segunda classificada e pelas outras atletas que lutavam pelo terceiro lugar, que chegou a ser quase da ucraniana Nataliia Lupu, que acabaria por quebrar nos últimos metros, cedendo o terceiro lugar à bielorrussa Marina Arzamasova.

Nos 60 metros a costa-marfinense Murielle Ahouré mostrava ser a grande candidata ao Ouro nos 60 metros, com a consistência que demonstrou desde o dia de ontem, às meias-finais de hoje. Sempre, claro, com a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce à espreita, na meia-final a dois centésimos de Ahouré. Na meia-final de Fraser-Pryce houve ainda oportunidade de mais uma queda de um recorde nacional, de Michelle-Lee Ahye (Trinidad e Tobago). E a final, já ao fim destes campeonatos, mostrou que Fraser-Pryce não só é simpática, como é uma vencedora, com o corte de linha de chegada abaixo dos 7 segundos, com 6,98 segundos, a melhor marca mundial do ano. Ahouré teria de se contentar com o segundo lugar, a três centésimos da jamaicana, à frente da norte-americana Tianna Bartoletta. A campeã de Istambul, há dois anos, tinha sido Veronica Campbell-Brown, hoje apenas 5ª classificada.

Contudo, numa altura em que decorrida uma interessante final de salto em altura masculino, a estafeta de 4x400 metros feminino fez o público levantar gritos e assobios de reprovação, após duas partidas abortadas, na primeira com cartão amarelo para a jamaicana Patricia Hall, que estava nos blocos de partida, na segunda com cartão verde. O problema estava nos blocos de partida da jamaicana, que à terceira vez que se colocou nos blocos até poderia ser bem sucedida, não houvesse novo cancelamento de partida, mas ai porque a disputa no salto em altura estava tão animada que o público já tinha focado nessa prova, com muitas palmas de alegria. À quarta seria de vez e começou o espetáculo da prova de estafeta, que trouxe dois resultados muito interessantes. Com os recordes russos intactos (o Mundial e o dos campeonatos) os Estados Unidos da América acabaram vencedores com a melhor marca mundial do ano, de 3.24,83 minutos, seguido relativamente de perto pela Jamaica, que em Sopot obteve o novo recorde nacional, de 3.26,54 minutos. A Rússia desta vez ficou fora do pódio, muito por boa ação competitiva da Grã-Bretanha, que ganhou espaço no último percurso para garantir a medalha de bronze.

O fenómeno do debate de medalhas por marcas pouco exigentes voltou a ocorrer no salto com vara, hoje com quatro atletas a terminarem com 4.70 metros. As quatro falhariam a 4.75 metros e tudo se teve de desempatar pelas fasquias derrubadas, onde o elo mais fraco foi a brasileira Fabiana Murer, que ficou no 4º lugar. Com igual número de falhanços nesta final, as três seriam desempatadas pelo numero de falhanços a 4.70 metros, onde a cubana Yarisley Silva foi a única a passar esta altura à primeira, dado que a única fasquia falhada, por uma ocasião, tinha acontecido a 4.65 metros. O segundo lugar seria partilhado no curto pódio, entre a russa Anzhelika Sidorova e a checa Jirina Svobodová. Tudo isto numa prova onde a norte-americana Jennifer Suhr arriscou tudo, começando a 4.65 metros e tentanto ultrapassar de seguida os 4.75 metros, mas sem sucesso, o que a deixou bastante mal classificada, no 5º lugar, o mesmo lugar da caseira Anna Rogowska.

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