[SOPOT14] Resumo – dia 2

Sábado, 08 Março 2014
[SOPOT14] Resumo – dia 2

O quase recorde de Ashton Eaton foi momento do dia.

Hoje os Mundiais de pista coberta tiveram aquele que é o dia mais denso desta competição, com muitas fases preliminares e muitas finais. Amanhã o dia será quase só finais... 

De manhã à noite, o segundo dia do Mundial de pista coberta foi intensivo de competições e de motivos de interesse. E apesar de os meetings de pista coberta terem sido um sucesso internacional da modalidade, antes destes Mundiais, a verdade é que até agora não se assistiu à queda de recordes (mundiais ou de campeonatos), faltando agora 12 finais para o fim destes campeonatos. E como seria de esperar, os Estados Unidos da América dominam nas medalhas, com 4 medalhas de Ouro, 1 de Prata e 1 de Bronze, contra as duas únicas medalhas, ainda que de Ouro, da comitiva russa. O dia de amanhã ditará melhor esta classificação por medalhas.

A FACE ZANGADA DE EATON QUE SÓ INVESTIU O SEU MELHOR A DUAS VOLTAS DO FIM

O “agri” e o “doce” juntaram-se na cara de Ashton Eaton (EUA) ao final dos 1000 metros da prova do Heptatlo. Talvez mais “agri”, porque afinal o recorde do Mundo esteve tão perto, a somente 13 pontos de diferença no final da prova quilométrica que corresponde a 9 voltas à pista. A vitória foi sua com a segunda melhor marca de sempre, de 6632 pontos, o segundo título consecutivo em pista coberta, que mantém o legado norte-americano, que antes teve duas vitórias de Bryan Clay, em 2008 e 2010. Longe ficou o segundo classificado deste Heptatlo, o bielorrusso Andrei Krauchanka, com novo recorde nacional de 6303 pontos. O terceiro classificado, o belga Thomas Van der Plaetsen também chegar ao recorde nacional, com 6259 pontos.

E desta vez os Estados Unidos da América perderam o estatuto da velocidade, nos 60 e 400 metros. Se em 2012 a vitória nos 60 metros planos tinha pertencido ao norte-americano Justin Gatlin , desta vez os Estados Unidos da América só viram um atleta chegar à final: Marcin Bracy. Mas quem se apresentou em grande momento de forma foi o jamaicano Nesta Carter, que foi o mais rápido na meia-final, com 6,50 segundos. O que se esperava para a final foi afinal o que se estava à espera...um forte despique! Mas nem os dois jamaicanos presentes vingaram, com Nesta Carter e Kimmari Roach a não passarem dos dois últimos lugares da final, atrás do repescado e experiente Dwain Chambers, hoje 6º, que viu a vitória cair no seu país, por intermédio de Richard Kilty. Este alcançou uma vitória histórica, obtida em 6,49 segundos, novo recorde pessoal. Nesta final dois atletas acabariam a superar-se, com recordes nacionais: Bingtian Su (China) e Gerald Phiri (Zambia), ambos com 6,52 segundos. Já nos 400 metros esteve hoje em risco o recorde dos campeonatos de Nery Brenes, que esteve também presente nestes campeonatos. E tudo porque o checo Pavel Maslák voltou a assumir o poderio dos tempos mais recentes para mostrar que o continente europeu ainda pode produzir atletas rápidos, uma prova que se juntou à de Richard Kilty (Grã-Bretanha), nos 60 metros. E hoje Maslák veio para a frente determinado a conseguir o seu primeiro grande título mundial, um ano depois do título europeu, nos 400 metros em pista coberta. O atleta correu em 45,24 segundos, novo recorde nacional, a 13 centésimos do recorde dos campeonatos, numa prestação de classe mundial, à frente de Chris Brown (Bahamas), hoje com recorde pessoal de 45,58 segundos e relegando o primeiro norte-americano para o terceiro lugar, por intermédio de Kyle Clemons (45,74).

Ainda nas corridas voltou a ser africano o domínio nos 1500 metros, com a vitória a sorrir a Ayanleh Souleiman (Djibouti). O atleta foi quase sempre dominador ao longo da prova, beneficiando do seu ritmo para sair vitorioso sobre dois companheiros de pódio do mesmo continente: o etíope Aman Wote (3.38,08) e o marroquino Abdalaati Iguider (3.38,21). O neozelandês Nicholas Willis tinha sido quarto classificado, mas a desclassificação permitiria que o primeiro atleta europeu fosse o turco Ilham Ozbilen, no quarto lugar.

Para finais decorreram duas provas de saltos: salto com vara e salto em comprimento. A final direta do salto com vara, só com 12 atletas inscritos, elevava a fasquia da competitividade, depois da IAAF ter estabelecido como critério de qualificação a marca de 5.75 metros. E hoje o pódio ficou nos 5.80 metros, todo ele igualado, com o desempate a fazer-se pelo número de derrubes. E aqui o grego Konstadínos Filippídis deu um pontapé na crise grega e foi mesmo o campeão mundial, aproveitando a ausência do recordista Renaud Lavillenie. Ele só falharia neste concurso quando tentou os 5.85 metros, valendo-lhe no desempate mais direto com o alemão Malte Mohr, que só derrubou uma fasquia, a 5.80 metros. O checo Jan Kudlicka seria mais irregular, mas com os 5.80 metros de hoje chegaria ao recorde pessoal. Quanto ao salto em comprimento hoje o mundo rendeu-se à categoria do brasileiro Mauro da Silva, atleta que mudou todo o rumo da competição com o seu último ensaio, de 8.28 metros, um novo recorde brasileiro de pista coberta que acabou por surpreender o chinês Jinzhe Li, que fez um concurso bastante estável. Ao terceiro ensaio quase tudo parecia ser-lhe favorável, quando chegou a 8.23 metros. E o primeiro aviso de que assim não era até veio da Suécia, por intermédio daquele que acabou por ficar no terceiro lugar, Michel Tornéus (8.21 metros). O brasileiro, que fez a sua última prova de pista coberta em Portugal, antes deste Mundial, deu assim a primeira medalha de Ouro ao Brasil, que recebe em 2016 os Jogos Olímpicos.

Nota ainda para algumas provas de qualificação, que animaram o atletismo em Sopot. E a primeira que dúvida que surge, depois da qualificação de hoje é se será amanhã que cairá o recorde do Mundo de Javier Sottomayor no salto em altura. Hoje o russo Ivan Ukhov esteve em modo económico para nem precisar de ultrapassar de novo a fasquia de 2.28 metros que outros seis atletas tiveram de saltar para garantirem a qualificação para a final. Melhor sorte não teve o britânico Robert Grabarz (2.25 metros, mas com muitos derrubes) ou o norte-americano Dusty Jonas, apenas com 2.21 metros. No triplo salto masculino repetiram-se os 11 atletas na qualificação, como aconteceu no setor feminino ontem. O romeno Marian Oprea, de 31 anos, voltou a ser destaque em grandes eventos e hoje foi o único acima dos 17 metros (17.02), o único com marca de qualificação direta, após dois ensaios. A estafeta de 4x400 metros decorreu sem equipas desclassificadas. A manhã foi tranquila para o quarteto norte-americano, que foi o mais rápido em pista, com 3.04,36 minutos, perante o poder jamaicano e a vontade de resultados da equipa polaca. E foi a Ucrânia, repescada para a final, que justificou o seu quarteto em Sopot, para novo recorde nacional, com 3.07,54 minutos. Mas maior justificação deu a equipa da Nigéria, na segunda série, que chegou ao recorde africano, com 3.07,95 minutos.

AREGAWI VOLTOU A REPETIR O CENÁRIO DE GOTEMBURGO’13

O sucesso de Abeba Aregawi (Suécia) não se sente só na Europa. A ex-etíope veio à pista provar que é a melhor atleta mundial da atualidade nos 1500 metros e após duas voltas incluida no grupo, a atleta veio para a frente, para se isolar e nunca mais sentir os pés das adversárias por perto. E quase que caia o recorde dos campeonatos, que está na mão de Gelete Burka desde 2008 (3.59,75). Hoje Aregawi correu em 4.00,61 minutos, mas ficou a sensação que poderia até ter sido batido o recorde. Não deixou de ser uma prova polémica, com empurrões e algumas atletas prejudicadas, originando inicialmente três desclassificações: Heather Kampf (EUA), Rababe Arafi e Siham Hilali (Marrocos). Para Arafi ocorreu a perda do terceiro lugar, ganho na secretaria pela canadiana Nicole Sifuentes, que com recorde nacional tinha acabado um centésimo mais rápido que Hilali, que foi entretanto reclassificada, após protesto.

A renovação sentiu-se na prova de salto em altura. A disputa pelos lugares cimeiros terminou hoje aos 2.02 metros, com três atletas a falharem esse objetivo, numa altura em que o pódio já estava bem definido, com Maria Kuchina (Rússia), Kamila Licwinko (Polónia) e Ruth Beitia (Espanha). Isto numa final onde estava a croata Blanka Vlasic, que ainda dá mostras de não demonstrar ser a campeã que marcou a sua imagem antes de se lesionar gravemente. E hoje vacilou a 1.97 metro, ficando com 1.94 metro alcançado, aliás, como a sueca Emma Green Tregaro. Daí para cima a polaca Justyba Kasprzycka superou-se com o alcance de 1.97 metro, mas mais se superaria Kamila Licwinko, que com 2.00 metros alcançou o recorde nacional que era de Kasprzcycka, para delirio do público polaco. A vitória ficou para a jovem de 21 anos, Maria Kuchina, que arrebatou um título importante que estava em mão norte-americana. A experiente Ruth Beitia conseguiu a primeira medalha para a Espanha na edição deste ano, no terceiro lugar. Também hoje se realizaria a final do triplo salto, onde a disputa foi centimétrica, entre a russa Ekaterina Koneva (14.46) e a ucraniana Olga Saladukha (14.45), atletas que demonstraram humildade e empatia pelas questões geopolíticas que dividem ambos os países. Para Koneva foi uma vitória importante, uma das duas que a Rússia obteve até ao segundo dia deste Mundial, para Saladukha um segundo lugar improvável, numa atleta que tem dominado a especialidade. Para o terceiro lugar, na disputa entre a portuguesa Patrícia Mamona e a jamaicana Kimberly Williams, nasceu um novo recorde pessoal para Williams, que foi mesmo terceira classificada, com 14.39 metros, 13 centímetros acima da portuguesa.

Já à entrada do lançamento do peso os apostadores fizeram, por certo, “all-in” em Valerie Adams (Nova Zelândia), tamanho o explendor da atleta que hoje alcançou mesmo a 44ª vitória consecutiva em provas de lançamento do peso e o segundo título mundial de pista coberta. Com cinco ensaios acima dos 20 metros, o melhor dos ensaios aconteceu à quinta tentativa, com 20.67 metros. Atrás de si mais ninguém esteve na casa dos 20 metros, apesar da proximidade a esse alvo por parte da alemã Christina Schwanitz, que hoje se ficou pelos 19.94 metros. A chinesa Lijao Gong foi terceira classificada, com 19.24 metros, à frente da russa Evgeniia Kolodko.

Nas provas mais rápidas, ao contrário do setor masculino, os Estados Unidos da América foram particularmente felizes. Nos 400 metros, a final das duas voltas à pista instalada no Ergo Arena, em Sopot, foi dominada pelo poderio norte-americano de Francena Mccorory, que já tinha estado bem na meia-final. A vitória que hoje alcançou , com 51,12 segundos, ampliou o legado do seu país nesta prova. Hoje ficou à frente da jamaicana Kaliese Spencer e de Shainae Miller, a atleta das Bahamas que não ganhou para o susto ao ver a aproximação perigosa da polaca Justyna Swiety, nos metros finais. Quanto aos 60 metros barreiras Sally Pearson voltou a ser a mais rápida, na meia-final, com 7,81 segundos destacados das restantes atletas, mas tudo seria diferente na final...ou melhor, tudo seria diferente na última barreira que passou no Mundial. Antes da entrada para a última barreira a australiana estava lado a lado com a norte-americana Nia Ali e seria o toque dado na última barreira que fez diferenciar o resultado de ambas em cinco centésimos, com vantagem para Ali, que derrubou a campeã em título. Os 7,80 segundos ficariam, assim, distanciados de 12 centésimos do recorde mundial de Susanna Kallur e a oito centésimos do recorde dos campeonatos da compatriota Lolo Jones.

Destaque ainda para outras duas provas, cujas finais se realizam amanhã. As eliminatórias dos 60 metros trouxeram o regresso da atual campeã do Mundo, Veronica Campbell-Brown, após a confusão que a envolveu numa acusão por doping. A atleta foi terceira classificada na quarta série, com 7,22 segundos, um low-profile que constraste com o da sua colega Shelly-Ann Fraser-Pryce (7,12) ou com o da mais rápida da manhã, a costa-marfinense Murielle Ahouré (7,09). Já quanto ao salto em comprimento duas atletas destacaram-se e ambas poderão ser mesmo as grandes candidatas à vitória final. A sérvia Ivana Spanovi alcançou 6.77 metros e a russa Darya Klishina não deixou de responder, fazendo 6.76 metros, também à primeira tentativa. No lado oposto a norte-americana Tori Bowe, desiludiu com somente 6.12 metros, ela que era a segunda melhor deste ano.

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