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A portuguesa fez um excelente concurso na final do Triplo Salto.
Patrícia Mamona recuperou a tradição de o setor de saltos brilhar em Mundiais de pista coberta.
Lisboa, 11 de março de 2001 e Carlos Calado tinha aberto as medalhas ao setor de saltos, quando no Mundial de pista coberta chegou ao terceiro lugar. Daí até ao dia de hoje seguiram-se medalhas em 2004, 2006, 2008 e 2010, com um jejum de uma edição sem medalhas. Sopot, 8 de março de 2014, não se inverteu a tendência de mais uma edição sem medalhas para Portugal, mas foi novamente o setor de saltos a dar mostras de capacidade de alcance de medalhas, através de Patrícia Mamona.
Sendo a terceira melhor atleta mundial do ano a expectativa da atleta já tinha sido anunciada com o objetivo das medalhas em mente. E hoje até teria sido um bom dia para isso, apesar da muita concorrência que já havia antes deste Mundial nas marcas que intervalavam entre 14 e 14.30 metros. E a portuguesa nem arrancou bem, com um nulo ao primeiro ensaio, numa altura em que já três atletas haviam ultrapassado os 14 metros e com a ucraniana Olga Saladukha à espreita. Quando saltou 14.26 metros, Mamona alcançou logo o 4º lugar, mas para que o pódio ficasse ao alcance teria já de estar 8 centímetros acima, no alcance de Kimberly Williams (Jamaica). E hoje a atleta portuguesa ter-se-à lembrado do embate com a jamaicana nas competições universitárias dos Estados Unidos da América, país que nem teve qualquer atleta nesta final.
Os 14.26 metros do segundo ensaio não seriam mais ultrapassados, mas teriam respostas muitos próximas ao terceiro ensaio, com 14.22 metros e ao sexto ensaio, com 14.25 metros. E na verdade, para chegar ao pódio, bastaria que Patrícia Mamona tivesse feito a chamada perfeita ao sexto ensaio, quando ficou a 16 centímetros da tábua, suficientes para recuperar os 13 centímetros que a separaram de Kimberly Williams, que ao sexto ensaio acabou por melhorar para 14.39 metros. A luta nas alturas, essa, ficou para a russa Ekaterina Koneva (14.46) e para a ucraniana Olga Saladukha (14.45) que mostraram humildade e empatia pelas questões geopolíticas que dividem ambos os países.
”Estou feliz com este quarto lugar, cria boas expectativas para o Verão. Esta foi a minha primeira final de um campeonato do Mundo e gostei deste cheirinho a pódio. Por isso vou continuar a trabalhar e a lutar para conseguir lá chegar”, indicou a atleta à Federação Portuguesa de Atletismo, naturalmente feliz pelo sucesso alcançado em Sopot, também muito próximo do recorde de Portugal de pista coberta.
Está, assim, encerrada a participação portuguesa em Sopot, sem medalhas, apesar do lugar honroso de Patrícia Mamona. A imagem destes campeonatos fica carregada pelas lesões de Eva Vital e Rasul Dabó, num momento em que o setor das barreiras em Portugal até está num bom nível internacional. Marco Fortes fez o possível, atendendo à época que passou.
RESULTADOS (Triplo Salto feminino – Final)
1. Ekaterina Koneva (Rússia) – 14.46
2. Olga Saladukha (Ucrânia) - 14.45
3. Kimberly Williams (Jamaica) - 14.39
4. Patrícia Mamona (Portugal) – 14.26
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