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Rui Pedro Silva pode abdicar de ir a Belgrado por falta de apoios.
A prova da Amora acabou por levantar algumas discórdias e insatisfações e colocou a nú alguns incómodos internos.
Desta vez Portugal tinha dois crosses para observar atletas para representarem as cores da seleção nacional no próximo Europeu de Corta-Mato. Torres Vedras teve realização há duas semanas e hoje era a vez da Amora desfazer dúvidas, ainda que esse tenha sido um papel difícil de representar para Pedro Rocha, o selecionador para Belgrado. O treinador esteve presente, com pouco apoio federativo no local e sem autonomia de decidir sobre a seleção, mostrando-se indisponível para comentar e delegando as competências de informação na Direção da Federação Portuguesa de Atletismo.
E a festa estava de facto montada e a maior das surpresas foi o regresso de Paulo Guerra aos crosses, não para fins competitivos, mas agora mais lúdicos, o que não o impediu de ser segundo classificado em Veteranos I. A vinda de atletas juvenis para a pista de crosse não fazia esperar que fosse mais tarde um dos momentos polémicos. Igor Valente recebeu o prémio pela vitória em juvenis, na cerimónia protocolar, mas pediu a palavra, para pedir explicações sobre a alegada mudança de critérios, definida pela Federação Portuguesa de Atletismo para esta temporada. ”Se é isto o respeito da federação, não é respeitar o trabalho que a gente faz”, disse-o pelas colunas de som, durante as cerimónias protocolares. Chamado ao palco, Pedro Rocha ouviu o atleta e justificou a opção federativa: ”infelizmente há uma diretiva em que os atletas juvenis não podem ser selecionados para grandes competições internacionais de juniores. No início do processo de seleção não se considerou isso. Igor Valente encerrou este diálogo público, indicando que foi levado a ”criar sonhos e que depois ficaram destruídos”.
Mas percebeu-se que este não era um caso isolado. A vencedora júnior, Sónia Ferreira, não teve hoje a presença de Silvana Dias na pista de crosse, mas teve-a ao lado no momento de festejar a vitória, que afinal tinha alguma raiva acumulada. ”Surgiram rumores que quem iria era a 1ª e 3ª classificadas de Torres Vedras”, disse ao Atleta-Digital, depois do seu treinador a alertar que o seu segundo lugar de Torres Vedras poderia não ser suficiente para estar em Belgrado. ”Pelo que percebi eles não vão levar equipas completas”, dizia a atleta no final da sua prova, com um sentimento agridoce. E um dado parece adquirido, Portugal marcará presença em Belgrado com menos unidades do que tem sido habitual nos últimos anos, fundamentalmente por questões financeiras. Esta situação terá obrigado Pedro Rocha a voltar atrás em relação às primeiras escolhas tomadas após o Crosse de Torres Vedras, por indicação da Federação Portuguesa de Atletismo.
Tudo isto deixou a incerteza no ar sobre quais seriam afinal os critérios e as quotas disponíveis para o Europeu, incerteza que ficou igualmente espelhada junto dos atletas, alguns deles a correrem hoje em Amora para tentarem garantir a confiança federativa. ”Temos de esperar pela seleção, poderei ou não ser selecionada”, dizia Salomé Rocha, vencedora feminina, que colocava em causa se seria selecionada, não avançando com expectativas. O mesmo acontecia com o vencedor sub-23, António Rocha, que confessou o que ia na sua cabeça: ” Sinceramente tenho receio destes critérios”.
RUI PEDRO SILVA PONDERA ABDICAR DA SELEÇÃO
Ao fechar do pano Rui Pedro Silva venceu facilmente a prova de séniores masculinos, o que o colocaria facilmente no lote de selecionados. Mas o atleta foi hoje muito duro com a Federação Portuguesa de Atletismo, no seguimento do que Ricardo Ribas, o capitão de equipa benfiquista para o crosse, disse no decorrer desta semana. À altura Ribas, que hoje esteve presente na Amora, indicava que ”a nossa federação está a portar-se mal com a juventude. Em relação à equipa sénior, todos queremos representar a seleção. Esse sonho não pode ser cortado da maneira que está a acontecer”. Mas hoje Rui Pedro Silva foi mais explícito.
” Hoje foi sorte, não sei. Não vinha com grande objetivo, mas consegui ganhar e agora vou falar com o meu treinador, para ver se valerá ou não a pena ir. Quando não se tem apoio nenhum da federação não sei se valerá a pena. Só tenho apoio do meu clube. Acho que deveria ter um apoio, fiz a Maratona, ninguém me perguntou se eu queria ir ao Europeu de Crosse, se precisava de médico, nós lá no Porto não temos nada disso”, desabafou Rui Pedro Silva, que sob o olhar atento de Ana Oliveira, diretora da modalidade no Benfica, lançou ainda uma suspeita: ”Parece que querem que as equipas paguem para os atletas irem correr para a seleção...”.
A corroborar algumas das questões levantadas por outros atletas, Rui Pedro Silva diz não conseguir compreender ”se vai um ao Europeu, se vão 4 ou 5. Ninguém diz nada”. E isto para Rui Pedro Silva pode corresponder a uma resposta simples: ”Pondero recusar-me representar a seleção, quando só tenho o apoio pelo clube, só tenho é de correr pelo clube”.
SELEÇÕES DEVEM SER PUBLICADAS AMANHÃ
Apesar da ausência de informações precisas, a seleção que representará Portugal em Belgrado deve sair amanhã. Pelo menos os atletas deverão ser informados amanhã, considerando que os critérios de seleção publicados antes das etapas de observação indicam que ” Os atletas seleccionado estão inibidos de competir em quaisquer competição de estrada ou corta-mato no periodo compreendido entre o dia 25 de Novembro e o Campeonato da Europa de Corta-mato, a 8 de Dezembro”.
Hoje o Crosse da Amora fez transparecer de forma mais agravada alguns diferendos existentes e que colocam a Federação Portuguesa de Atletismo sob fogo. O Atleta-Digital tentou chegar ao contacto com a Direção da FPA, mas sem sucesso.
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Porque será?
pena isto já se verificar á muitos anos noutros sectores do atletismo português e nunca houve renuncias ou choradeiras...
o corta mato sempre teve equipas completas de todos os escalões e até suplentes...se há crise para uns, tem de haver para outros
Sub23 fem em torres vedras em menos de um 1min 5 atletas cortam a linha todas atletas de selecção uma delas é a 8 no ranking europeu
Jun fem das 5 primeias 3 tem europeus e das seguintes uma é campea nac
Sub23 masc dos 5 primeitos apenas um atleta numa nunca representou Portugal
Jun Mas 5 atletas dois primeios sao atletas de selecção os seguintes mostraram estar todos em grande forma
continuo a dizer, estão mal habituados porque corta mato sempre foi à grande, com equipas completas de todos os escalões e suplentes. se há crise para uns tem de existir para outros.
Os atletas como é normal vão começar a rejeitar a selecção e com muita razão....
Apoios é só dos clubes e não é para todos por isso não podem pedir resultados...
Portugal é só futebol!! Mas todos os desportos são muito importantes....
O atletismo tem muitos mais resultados do que o futebol e para o futebol não falta nada....
VERGONHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Nem o próprio Seleccionador tem autoridade na selecção das equipas!!
As equipas podiam levar cortes no numero dos atletas, mas já devia estar previamente definidos esses critérios!!
Os atletas nem sabem se devem ou não competir, se vão ser selecionados num cross ou noutro...
Todos os atletas nos escalões jovens são o futuro do Atletismo a nivel nacional!! Houve uma cimeira à tão pouco tempo para depois cortarem assim no meio fundo???
Como o Rui Pedro Silva diz, não vale a pena correr pela Selecção, não há apoios, nem sequer equipamentos!!!
Mas o que é certo é que as coisas mudam. Os bons velhos tempos, dos vícios, do facilitismo já lá vão. Sempre se abusou no número de atletas.
Sempre achei que o abaixamento do nível dos nosso meio-fundo não justificava nada levar 35 atletas como ano passado em Budapeste. Vejam as classificações lá obtidas - bem modestas, bem modestas, muitas delas fraquinhas, diria.
Finalmente alguém (a Federação) está a ver bem as coisas. A seleção nacional tem de ser para os que estão em forma e justificam.
Mais uma nota. Como é que um Juvenil (Igor Valente)está indignado por não ir aio Europeu de juniores.Indignados deviamos estar todos com a sua participação em Torres Vedras. O não ter sido desclassificado foi uma falha, pois que se saiba um Juvenil em portugal não pode correr mais de 5.000 metros e o Igor em Torres foi aos 6.000m dos Juniores - uma ilegalidade ... Assim, vai longe!
Sou padrinho de um atleta juvenil muito interessante, filho de um grande amigo meu. Como ex. atleta com muitos anos de prática dedicada ao meio fundo, e agora afastado há já alguns anos, tenho uma visão de distanciamento relativamente a muitas das situações que acontecem. De entre um vasto conjunto de coisas que penso poderiam ser melhoradas, existem as do treino de muitos atletas jovens, entre eles Juvenis, deixados à orientação de treinadores sem o mínimo de qualidade e sem qualquer tipo de formação formal. Qualquer um, seja vendedor, mecânico, GNR, polícia, empreiteiro, comerciante ou empresário, etc, sem nada saber de fisiologia, sem nada saber do corpo humano, sem nada saber de pedagogia, sem nada saber de psicologia, sem nada saber de treino, etc, etc, pensa ser o iluminado, pensa ser o maior nesta áreas e depois coitados dos atletas. Dezenas e dezenas de jovens têm sido vítimas. E depois quando o futuro não acontece a culpa é sempre de outros, com a Federação à frente. È o que temos …infelizmente. O meu afilhado felizmente, não é treinado por nenhum destes, assim tenho a esperança que seja mais feliz e que pratique a modalidade de uma forma correta.
Termino dizendo. FORÇA FEDERAÇÃO, se a v/ postura é a que vêm demonstrando têm todo o meu apoio. Penso que estão no bom caminho. Criaram-se tantos vícios, houve tanto facilitismo, existiu tanto porreirismo que é preciso arrepiar caminha – haja quem tenha coragem.