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Usain Bolt e Shelly-Ann Fraser-Pryce considerados os melhores 2013.
A Gala da IAAF trouxe ontem à ribalta os dois principais velocistas jamaicanos, votados como os melhores de 2013.
Num momento difícil para o desporto jamaicano, com as autoridades a declararem o país como não sendo eficaz na luta anti-doping, ontem a Gala da IAAF, realizada no Mónaco, trouxe outros motivos para os jamaicanos sorrirem, com os velocistas Usain Bolt e Shelly-Ann Fraser-Pryce a sairem como os mais votados para melhor atleta do ano. Do lado masculino Bolt tinha a oposição de Bohdan Bondarenko (Ucrânia) e de Mo Farah (Grã-Bretanha), enquanto que do lado feminino a oposição a Fraser-Pryce era de Valerie Adams (Nova Zelândia) e de Zuzana Hejnová (República Checa), esta última que tinha acabado há dias de ter sido considerada a melhor desportista checa do ano.
Os dois atletas jamaicanos, Bolt de 27 anos e Fraser-Pryce de 26 anos, têm histórias diferentes neste prémio, com o dado de comum de ambos terem sido campeões mundiais em 2013 nos 100, 200 e 4x100 metros.
Para Bolt foi a quinta vez que foi distinguido com este prémio, a terceira vez consecutiva, depois dos anos de 2008, 2009, 2011 e 2012. Mas outro dado interessante se levanta, já que é a sexta vez que a Jamaica vence este prémio (a restante pertenceu a Asafa Powel) e aproxima-se perigosamente dos Estados Unidos da América, que na história deste troféu, no setor masculino, venceu por sete ocasiões, não conseguindo ter um atleta como melhor do ano desde 2007. Para o velocista jamaicano ”esta época será para atacar o recorde mundial dos 200 metros, já a pensar no ano de 2014.

Do lado de Shelly-Ann Fraser-Pryce, foi a primeira vez que a atleta saboreou a conquista deste prémio, o segundo que a Jamaica alcançou desde a existência desta distinção, que começou no ano de 1988. E aqui o domínio norte-americano não está de forma alguma beliscado, com 9 melhores do ano na história do prémio, que poderiam ser 10, não fosse o título retirado a Marion Jones, no ano de 2000.
E foi o doping que foi ontem relembrado. A Jamaica tem sofrido fortes pressões da comunidade internacional para mostrar o seu sistema de anti-dopagem e recebeu recentemente a visita de técnicos especialistas, que estão a avaliar o sistema que é utilizado no país que tem liderado a velocidade mundial. Entre as várias críticas feitas e o eco no mundo do desporto é agora Usain Bolt que vem em defesa da sua situação, que pode já estar a sofrer com as ondas geradas. ”Isto está a custar-me dinheiro”, indicou ontem Bolt aos jornalistas, alegando que tem tido maiores dificuldades de financiamento para a sua carreira desportiva, com muitas empresas a retrairem-se no momento de investirem no relâmpago jamaicano.
OS OUTROS PRÉMIOS DESTA GALA, COM DESTAQUE PARA OS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
A IAAF atribuiu outros prémios nesta gala, em categorias de menor destaque, mas que destacam outras personalidades com mérito na modalidade. Dois atletas foram distinguidos pelas suas carreiras. O norte-americano Dwight Philips pôs termo à sua carreira neste ano e marcou a modalidade pelas suas 4 medalhas de Ouro em Mundiais e uma em Jogos Olímpicos, no salto em comprimento. A russa Yelena Isinbayeva, apesar de ainda no ativo, foi distinguida pelas duas medalhas de Ouro olímpicas (2004 e 2008), além de outras grandes medalhas internacionais e de vários recordes do Mundo, batidos no salto com vara
Outra atleta foi distinguida, na categoria de esperança do ano. A norte-americana Mary Cain foi a mais nova representante do seu país em Mundiais de Atletismo, com apenas 17 anos, alcançando a final dos 1500 metros em Moscovo. E as marcas dizem tudo sobre esta atleta, chegando a 1.59,51 minuto nos 800 metros e a 4.04,62 minutos nos 1500 metros.
Na categoria de melhor treinador do ano foi destacado o papel de Alberto Salazar (EUA) nas disciplinas de meio-fundo e fundo, onde se destaca o seu papel enquanto treinador do britânico Mo Farah, mas não só. Incluem-se na lista de atletas Galen Rupp e a jovem já referenciada anteriormente, Mary Cain.
Foram ainda distinguidos o italiano Gianni Merlo (prémio de jornalista) e dos atletas veteranos Charles Allie (EUA) e Christa Bortignon (Canadá).
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