Rússia aproximou-se vertiginosamente dos EUA na tabela de medalhas.
Os campeonatos do Mundo tiveram hoje o seu sétimo dia de competições e entram agora na reta final, onde quase só sobram finais.
Já não se poderá considerar que este é um Mundial para esquecer ou para não lembrar. Ainda que não se tenha chegado ainda ao mesmo número de recordes de Daegu, este é um Mundial que tem apresentado competitividade para lá do quanto basta.
O resultado da tarde de competições acabou por acontecer na prova do lançamento do martelo, prova onde a atleta da casa, Tatyana Lysenko, tinha uma forte palavra a dar ao seu público, com dois estatutos: recordista mundial e atual campeã do Mundo. E Lysenko cumpriu com o seu favoritivismo, ainda que ao seu lado tivesse a recordista dos campeonatos, a polaca Anita Wlodarczyk. Ambas subiriam acima dos 78 metros, a condição para o recorde dos campeonatos cair. Lysenko ao quarto ensaio arremessou o seu martelo bem longe, para os 78.80 metros, retirando o recorde à atleta polaca, que na mesma tentativa tentou responder à altura, mas com menos 34 centímetros. Os 78.46 metros foram, contudo, um novo recorde nacional polaco e resultou num concurso que foi de expectativa até final. Lysenko ao longo do concurso e até antes da cerimónia de entregas de medalha não deixou de agradecer ao público russo ao debruçar-se repetidamente. E afinal o público teria ele de ficar-lhe bastante grato, dado que assistiu ao segundo recorde dos campeonatos, além de uma preciosa ajuda nos objetivos da Rússia de se afirmar nas medalhas.
Sem uma boa parte das jamaicanas, cabia a Shelly-Ann Fraser-Pryce tentar repetir o Ouro dos 100 metros, na distância dos 200 metros e salvar a honra da ilha, numa disciplina onde a velocista não tem tanta qualidade como na distância mais curta. Por outro lado a presença de Allyson Felix (EUA) trazia a dúvida de qual das duas teria capacidade de arrecadar o Ouro, sendo que para os Estados Unidos da América um Ouro de Felix seria importante para combater a Rússia na tabela de medalhas. Contudo Allyson Felix acabaria por se lesionar logo a meio da curva e deitou por terra a esperança dos EUA de chegar ao Ouro. A atleta saiu ao colo, sendo levada para a área médica. A luta ficava, assim, mais fácil para a atleta jamaicana, que com 22,17 segundos chegou ao sonho de dois Ouros individuais nos mesmos campeonatos. Na liha de meta seguiram-se Murielle Ahoure (Costa do Marfim) e Blessing Okagbare (Nigéria), ambas com 22,32 segundos. O trio de atletas ainda ajudaram a levantar um repórter de imagem que caiu durante os festejos, um dos factos curiosos, num dia que voltou a valer pelas prestações.

No setor masculino uma das curiosidades do dia era perceber se Mo Farah conseguiria fazer uma dupla vitória nestes Mundiais, depois de ter sido Ouro nos 10000 metros. O britânico enfrentava uma forte concorrência nos 5000 metro, composta por três quenianos (Isiah Koech, Thomas Longosiwa e Edwin Soi), por três etíopes (Hagos Gebrhiwet, Muktar Edris e Yenew Alamirew) e por atletas dos EUA (Bernard Lagat, Galen Rupp e Ryan Hill), com todos estes a ocuparem o top-10 final. O ritmo ao longo da final dos 5000 metros foi imposto forte no início pela dupla queniana, que após 4 minutos afroxou o ritmo, altura em que foi a Etiópia a impor um ritmo na frente, enquanto Mo Farah se limitou a acompanhar os acontecimentos para lá do meio do grupo. Aos 2000 metros Farah tomou a dianteira do grupo, com espanto dos seus adversários e por ali se manteve. Na volta final, acabaria perseguido por dois quenianos e na reta final nem nunca deu a corda, nem nunca deixou que um peito adversário lhe passasse à frente. E não deixa de ser incrível que a última volta à pista fosse feita em 53,44 segundos por Farah, na busca de um Ouro, que era apenas uma medalha a repetir depois de também ter sido campeão em Daegu. O britânico não se separou da sua família e a sua filha acabaria mesmo por acompanhá-lo numa parte da volta de honra. Gebriwet, a cerca de meio segundo e Koech, com o mesmo registo do etíope, completaram o pódio.
Nos concursos foi frenético o concurso de salto em comprimento que esteve acima dos patamares que em 2011 estiveram longe de serem alcançados. Hoje a normalidade foi abanada por Aleksandr Menkov, que tinha aqui um papel muito importante nas aspirações russas na tabela de medalhas. O terceiro ensaio a 8.52 metros trouxe os ensaios para cima dos cinco primeiros neste concurso e quando não havia quem se chegasse, o russo voltou a levantar o estádio ao saltar 8.56 metros, a melhor marca mundial do ano. O novo campeão mundial, pela primeira vez, tinha sido sexto classificado em Daegu 2011. O campeão de 2011, Dwight Philips (EUA) esteve também em prova, mas acabaria por ao terceiro salto ser arredados dos três últimos, com 7.88 metros apenas, embora se tenha isolado na lista de atletas que mais finais tem nesta disciplina, com sete presenças consecutivas.
No lançamento do peso foi novamente o “miúdo” a levar de vencida os “maduros” no lançamento do peso. O alemão David Storl voltou a ter um concurso de nervos, lançando sempre atrás do que tinha sido o primeiro e melhor ensaio do norte-ameriano Ryan Whiting, 21.57 metros. Storl começou com 21.19 metros, evoluiu de seguida para 21.24 metros e ao quarto ensaio chegaria finalmente aos 21.73 metros que o levaram ao topo do pódio, que foi completo com Ryan Whiting (EUA) e por Dylan Armstrong (Canadá). Hoje os Estados Unidos da América acabaram por ter um mau dia nesta especialidade, com o 4º lugar de Reese Hoffa e o 9º lugar de Cory Martin.
Por fim na última prova do dia os EUA lutavam pela honra e pela medalha de Ouro de que precisava para reequilibrar as contas no medalheiro, depois de ver a Rússia a ultrapassar, antes do começo da prova. E durante a prova os russos jogaram o fator casa para tentar chegar a uma medalha que acabou por acontecer, obviamente fora do seu principal desejo, o Ouro, mas sim no Bronze, depois da Jamaica ter feito uma ponta final espectacular. E com LaShawn Merritt a acabar o quarto percurso, os EUA acabariam naturais vencedores com o tempo de 2.58,71 minutos, a liderança mundial do ano e ganhando vantagem sobre a Jamaica na tabela de pontuação do historial dos 4x400 metros em Mundiais. Para LaShawn Merritt foi o quinto Ouro neste tipo de estafeta, igualando os jamaicanos Davian Clarke e Danny McFarlane. Para os Estados Unidos da América foi a certeza de se manterem no topo da lista de medalhados, com o mesmo número de medalhas de Ouro que a Rússia, mas com mais poderio nas restantes medalhas.
BOLT COMPETIU COM UMA PEQUENA LESÃO, QUE NÃO O IMPEDIU DE ALCANÇAR FINAL
Usain Bolt voltou hoje às pistas e para o jamaicano as eliminatórias e meia-final dos 200 metros trouxeram mais dificuldades do que esperararia, depois de num treino ter deixado cair um dos blocos em cima do seu pé. Na sessão matinal Bolt competiu na sétima eliminatória e acabou primeiro classificado com um dos piores tempos entre os qualificados, com 20,66 segundos. Na meia-final o atleta não pareceu ter dificuldades em voltar a ser o mais rápido da sua série, desta vez com 20,12 segundos, mas tendo de forçar um final mais rápido do que aquele que desejava, após o forcing do sul-africano Anaso Jobodwana. A final disputa-se na sessão da tarde de amanhã, onde continua a ser o favorito, ainda para mais com mais um dia de recuperação da dor que tem no pé.
CAMPEÕES (dia 7):
200 m Fem. – Shelly-Ann Fraser-Pryce (Jamaica) – 22,17
5000 m Masc. – Mohamed Farah (Grã-Bretanha) – 13.26,98
Salto em Comprimento Masc. – Aleksandr Menkov (Rússia) – 8.56
Lanç. Do Peso Masc. – David Storl (Alemanha) – 21.73
4x400 m Masc. – EUA (David Verburg, Tony Mcquay, Arman Hall, LaShawn Merritt) – 2.58,71
Lanç. Do Martelo Fem – Tatyana Lysenko (Rússia) – 78.80




Enviados Especiais: Edgar Barreira (texto) e Filipe Oliveira (fotos)
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