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Depois de Rudisha, Yulia Zaripova é ausência forçada.
O setor do meio-fundo e fundo está este ano vivo nas presenças e ausências internacionais, para lá do fator tático e de resistência já habitualmente presente.
O atletimo mundial já tinha tido a sua desilusão ao ver falhar o queniano David Rudisha na prova de 800 metros, que amanhã começará a ter a sua primeira ronda. Hoje a notícia de que Yulia Zaripova está de fora do Mundial é a mais recente ausência de peso, ela que carregava favoritivismo dado que é a atual campeã mundial e olímpica nos 3000 metros obstáculos. A prova fica, assim, mais em aberto, depois da atleta russa se ter lesionado num treino já realizado em Moscovo, há dois dias atrás, que a colocou de fora de toda a restante época. Assim a luta nesta prova fica em aberto para as quenianas Sofia Assefa, Milcah Chemos e Lidya Chepkurui, além das atletas etíopes que têm corrido em média três segundos mais lentas.
Outros pontos de interesse existem, como por exemplo nos 800 metros, onde a ausência de Rudisha vem abrir a possibilidade ainda mais provável de Yuriy Borzakovskiy (Rússia) vir a somar a sua sexta final consecutiva na tentativa da sua quinta medalha no evento, contando os Mundiais. Nos 1500 metros estará presente o campeão do Mundo, Asbel Kiprop, além do restante pódio de Daegu. Os 5 e 10 mil metros serão provas em que a previsão muito depende das opções dos atletas, muitos deles inscritos em ambas. O britânico Mo Farah promete história, depois de recentemente se ter mostrado em bases rápidas ao conquistar recorde europeu nos 1500 metros. Essa é a sua preparação para Moscovo, para tentar abater alvos como o norte-americano Bernard Lagat (3 vezes medalhado nos 5000 metros), ou o etíope Kenenisa Bekele (5 vezes medalhado nos 10000 metros), cujo momento de forma é uma incógnita, que será logo desfeita ao primeiro dia. Nos 3000 metros obstáculos estará novamente Ezekiel Kemboi (Quénia), campeão nos dois últimos eventos, com a habitual festa muito própria a esperar-se no final. Os franceses Mahiedine Mekhissi-Benabbad e Bouabdellah Tahri poderão tentar ser surpresa, sendo os dominadores do continente europeu.
As provas de Maratona têm neste Mundial a particularidade de se disputarem ao início da tarde, num novo sistema que pretende voltar a ligar as provas em estrada com as provas em pista, reservada que está a chegada à linha de meta marcada no tartan. E é aqui que o evento pode ter o seu quê de surpresa, principalmente com a ausência no setor masculino do campeão de 2009 e 2011, Abel Kirui. Para lá da disputa individual, é de esperar uma intensa luta pela nação mais pontuada de sempre, entre Quénia e Japão. Do lado feminino, cuja prova terá lugar já amanhã, há demasiadas incógnitas, com poucas atletas presentes que tenham chegado este ano abaixo das 2:05 horas. Tal feito pertence a Ryoko Kizaki (Japão), Kayoko Fukushi (Japão), Mizuki Noguchi (Japão), Edna Kiplagat (Quénia), Valentine Kipketer (Quénia) e Feyse Tadese (Etiópia). Já se sabe que uma Maratona em grandes campeonatos não se joga nas marcas, mas nas qualificações e a previsão é sempre a primeira a falhar quando a alternância de fatores é a constante.
Há ainda a referir uma ausência sonante nos 800 metros femininos, com Caster Semenya a não conseguir os mínimos para este Mundial, numa prova que se mantém em aberto, com 18 atletas abaixo dos 2 minutos este ano. Nos 1500 metros as atletas Genzebe Dibaba (Etiópia), Faith Kipyegon (Quénia), Hellen Obiri (Quénia), são nomes de referência, mas a maior referência é mesmo a recentemente naturalizada sueca Abeba Aregawi, que parte com o melhor registo mundial do ano, com 3.56,60 minutos, o que pode constituir dos raros momentos em que a Europa se sobrepõe a África ao nível da medalha de Ouro, em provas de meio-fundo. A dor de cabeça na análise fica aqui novamente nos 5 e 10 mil metros. Na distância mais curta a Etiópia marca pontos, com três atletas muito próximas em termos de marcas: Almaz Ayana, Meseret Defar e Tirunesh Dibaba. Neste caso as quenianas parecem muito menos competitivas, com a melhor das quenianas neste ano a ser Viola Kibiwot, com diferença entre sete e dez segundos para as etíopes. O cenário é mais agravado para o Quénia quanto aos 10 mil metros, já que quatro etíopes correram este ano na casa dos 30 minutos (Birhane Adere, Meseret Defar, Belaynesh Oljira e Tirunesh Dibaba), enquanto que do lado do Quénia só Gladys Cherono se pode gabar de tal feito.
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