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Dulce Félix chegou ao quarto título consecutivo.
Hoje o Nacional de Corta-Mato Longo disputou-se na região de Torres Vedras, uma competição que trouxe mais competitividade para o terreno.
Foi com terreno pesado, misto de terra com relva, entre o cemitério e a igreja de A-dos-Cunhados que o Nacional de Corta-Mato teve lugar, mais precisamente nos Jardins do Alcabrichel. Esta foi a primeira vez que o corta-mato teve a sua aparição neste local, num concelho que tem dedicado a sua atenção ao crosse português. A presença de cerca de cinco centenas de atletas em competição, com alguns dos seus acompanhantes, acabaram por dar alguma moldura humana a este evento.
BENFICA DE REGRESSO AO TÍTULO MASCULINO APÓS 23 ANOS
A ausência inesperada de Youssef el Kalay (em exames médicos no Hospital de Tomar), que alegadamente se terá ressentido da infeção urinária que o afetara no passado, deixou o Maratona Clube de Portugal fragilizado em relação a uma equipa que era, já de si, curta demais para admitir falhas ou dias menos bons dos seus atletas. E o pouco provável tornava-se assim numa grande probabilidade de vitória a favor das cores benfiquistas, como afinal ocorreu.
A prova desenrolou-se grande parte em pelotão, com os homens do Maratona a tentarem desgastar os adversários. José Rocha (Maratona) fez as despesas durante uma boa parte da prova, mas foi Manuel Damião (Maratona) quem chegou à vitória, dobrando o seu título nacional na estrada e renovando o título obtido no ano passado. ”Foi mais uma prova que consegui ganhar, com sacrifício e muito trabalho”, realçou Damião que não se terá adaptado na perfeição com o percurso. Preparado para estar no Mundial de Crosse, onde espera classificar-se no primeiro terço, Damião destacou que ”graças à vontade de todos” tem conseguido continuar a preparar-se ao mais alto nível, o que esperará fazer pelo menos mais uma época.
Oito segundos depois chegava Alberto Paulo (Benfica), que voltou a estar em evidência no corta-mato, ajudando a guiar a sua equipa ao título, enquanto José Rocha (Maratona) fechou o pódio masculino. Mas a coletiva sairia melhor para o Benfica, que depois do segundo lugar de Alberto Paulo, conseguiu ainda fechar o resto da equipa no top-10 : Tiago Costa (4º), Ricardo Ribas (6º), Licínio Pimentel (8º), além de José Moreira (9º). Face ao poderio benfiquista, o Maratona poderá lamentar a ausência de um bom quarto nome para fecho da equipa, obrigando-se a recorrer ao jovem Luís Fernandes, 36º classificado.

DULCE FÉLIX IGUALA FEITOS DE MANUELA SIMÕES, ROSA MOTA E FERNANDA RIBEIRO
Ainda está longe dos oito títulos nacionais de Rosa Mota, mas os quatro títulos consecutivos, o quarto hoje concretizado, já fazem de Dulce Félix (Maratona) um nome a reter como um dos quatro que na história desta prova o conseguiram. A atleta tinha o desafio de tentar bater Sara Moreira (Maratona), campeã nacional de estrada e campeã europeia de 3000 metros, em pista coberta. Este último título de Sara Moreira terá feito com que a atleta portuense ficasse novamente no segundo lugar, o que ironizou como sendo ”o oitavo vice-título”. As duas cedo deixaram o pelotão, como que querendo disputar entre si o favoritivismo, numa rivalidade que era afinal apenas individual, tamanho o susto que ainda vinha a ocorrer na classificação coletiva.
Para este susto contribuiu uma equipa sportinguista inspirada e determinada em provocar a surpresa, em nome do falecido presidente leonino, João Rocha, presumindo-se ter sido esse o motivo que o luto se mostrava com um laço negro ao peito das atletas. E do conjunto leonino a mais experiente Clarisse Cruz foi a melhor, com o terceiro lugar.
Mas o Maratona acabaria por colocar Sara Moreira (2ª) e Dulce Félix (1º), uma boa vantagem para as contas coletivas. Contente com a sua vitória, a atleta referenciou a intensa luta coletiva : ”Este ano a adrenalina foi maior”. Não tendo em vista o Mundial de Corta-Mato, Dulce Félix admitiu a difícil vitória, pelo forte repto de Sara Moreira, que chegaria ainda assim a 20 segundos de diferença. Individualmente espera regressar em 2014, de preferência com as cores do Maratona, que é atualmente um clube em reformulação : ”Ontem foi-nos dito que o clube não acabará para a modalidade”. Apesar de mais um segundo lugar, Sara Moreira não terá perdido a ambição, antes de partir para Nova Iorque, onde disputará uma meia-maratona : ”Um dia este título será meu”.
SILVANA DIAS REPETE VITÓRIA...MIGUEL MARQUES TAMBÉM GARANTIU LUGAR PARA BYDGOSZCZ
Nos escalões mais jovens também existiu interesse, principalmente na prova de júniores, que foi disputada ao estilo ”trials”, como habitualmente se realizam noutros países. Hoje quem garantisse o primeiro lugar garantiria automaticamente a presença no Mundial de corta-mato. E foi nesta base que as provas se realizaram, primeiro a prova feminina, depois a prova masculina.
A prova feminina voltou a ter Silvana Dias (UD Várzea) tão “esmagadora” quanto se mostrou nos crosses de novembro, preocupada com a vitória individual, mas também com a vitória coletiva. A vitória individual foi conseguida com 42 segundos de vantagem sobre Jéssica Matos (Benfica) e 51 segundos sobre Diana Almeida (Benfica), mas seria exatamente estas colocações das benfiquistas que invalidariam novo título coletivo para a UD Várzea. ”Todas demos o nosso melhor”, justificou a atleta, que agora se prepara para o Mundial da especialidade, depois de um Europeu que podia ter corrido melhor, não fosse uma paragem forçada antes dessa competição.

Do lado masculino cedo se apercebeu que um dos atletas queria tentar a surpresa, através de Bruno Vieira. O atleta isolou-se bastante cedo na corrida, acabando por ser apanhado na segunda metade da prova, por um pelotão benfiquista que correu em equipa, para depois entre a equipa sair um campeão. Assim aconteceu para o lado de Miguel Marques, que foi mais forte que André Pereira, para alguma irritação do mesmo à chegada. Declarando que ”não esperava ter ganho”, a verdade é que Miguel correu ”sempre com o Mundial em mente”, numa prova que terá sido positiva pelo espevitar inicial de ritmo provocado por Bruno Vieira, que chegaria no 6º lugar. Bruno Varela (Benfica) fechou o pódio, numa prova onde a equipa benfiquista fez o melhor que se pode pedir a uma equipa : fechar a equipa com os quatro primeiros lugares.
Em juvenis as vitórias foram para Sofia Teixeira (UD Várzea), em femininos, e para Fábio Gomes (UD Várzea), em masculinos. Coletivamente vitórias de Juventude Vidigalense, nas raparigas e Dragões Vale de Vizela, nos rapazes.
DEFINIRAM-SE OS CLUBES QUE REPRESENTARÃO PORTUGAL NA TCCE
Com a saída da Conforlimpa do atletismo, o Maratona Clube de Portugal parecia ser o único clube capaz de disputar lugares de topo para a Taça dos Clubes Campeões Europeus. A verdade é que poderia ter saído de Torres Vedras sem qualquer um dos títulos, um cenário que foi salvo a tempo e horas pela debilitada Anália Rosa e pelo esforço final de Daniela Cunha, no setor feminino. Maratona com 17 pontos e Sporting com 20 pontos converteu-se numa diferença de três pontos que foram bem batalhados por Clarisse Cruz (3ª), Salomé Rocha (4ª), Catarina Ribeiro (6ª) e Doroteia Peixoto (7ª). Esta foi a 12ª vitória do Maratona Clube de Portugal na história do evento, já levando duas vitórias de avanço relativamente ao Sporting. ”Dos títulos coletivos este título foi o que soube melhor”, considerou Sara Moreira no final, realçando a curta distância a que ficou a equipa leonina.

No setor masculino há muito tempo que não se viam tantas dificuldades na equipa do Maratona Clube de Portugal, que acabou a 27 pontos das duas dezenas de pontos da equipa benfiquista. O facto não terá sido bem digerido pela equipa laranja, que já há dias anunciara a intenção de mudar a estratégia para a próxima temporada. ”Vamos restruturar o clube em termos de equipas de alto rendimento”, confirmou Rafael Marques, sem adiantar detalhes. Mas o facto de o Benfica ter chegado ao seu 20º título, 23 anos depois do último título masculino, deixou Ana Oliveira, responsável pelo atletismo benfiquista, muito feliz : ”A equipa faz-se pelo seu todo, não é um resultado só do dia de hoje”. A responsável destacou a ambição e cautela da equipa benfiquista, ”que não é só o conjunto de quatro atletas muito bons”, que não terá tido orientações expressas para chegar à vitória : ”não foi preciso pedir a vitória, nós somos uma equipa em todos os aspetos”.
E as vitórias benfiquistas não se ficariam por aqui, já que coletivamente “roubou” o título à equipa da UD Várzea, no setor feminino, sendo claro vencedor no setor masculino. Contas feitas, só em Séniores femininas o Benfica não estará na Taça dos Clubes Campeões Europeus da especialidade, na próxima temporada.
Resultados Completos - Lap2Go
RESULTADOS:
Juniores Femininos (6 Km):
1. Silvana Dias (UD Várzea) – 22.53
2. Jéssica Matos (SL Benfica) – 23.35
3. Diana Almeida (SL Benfica) – 23.44
Coletivas : SLB (24), UDV (28), JV (72)
Juniores Masculinos (8 Km):
1. Miguel Marques (SL Benfica) – 27.07
2. André Pereira (SL Benfica) – 27.13
3. Bruno Varela (SL Benfica) – 27.17
Coletivas : SLB (10), SCB (59), UDV (68)
Séniores Femininos (8 Km):
1. Ana Dulce Félix (Maratona CP) – 28.14
2. Sara Moreira (Maratona CP) – 28.34
3. Clarisse Cruz (Sporting CP) – 29.08
4. Carla Salomé Rocha (Sporting CP) – 29.15
5. Anália Rosa (Maratona CP) – 29.34
Coletivas: MCP (17), SCP (20), ADERCUS (56)
Séniores Masculinos (12 Km):
1. Manuel Damião (Maratona CP) – 37.25
2. Alberto Paulo (SL Benfica) – 37.33
3. José Rocha (Maratona CP) – 37.38
4. Tiago Costa (SL Benfica) – 37.40
5. António Silva (ACS Senhora Desterro) – 37.42
Coletivas: SLB (20), MCP (47), MAC (63)

Enviado Especial : Edgar Barreira (texto e fotos)
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