[EUROPC13] Resumo do Dia – dia 4

Domingo, 03 Março 2013
[EUROPC13] Resumo do Dia – dia 4

Queda de um único recorde dos campeonatos.

O quarto e último dia desta competição trouxe vários momentos emotivos, onde se destaca o recorde dos campeonatos invalidado ao francês Renaud Lavillenie. 

No primeiro balanço a estes campeonatos, a destacar negativamente o atingir de um único recorde dos campeonatos, em provas de estafetas, com as provas individuais a ficarem órfãs desse ambicionado desejo, por um motivo ou por outro. O público sueco apoiou de forma efusiva os seus atletas, que até foram correspondendo, mas o Scandinavium nunca esteve cheio, apesar do entusiasmo vivido na cidade. Façamos a análise de evento a evento…

A RAIVA DE LAVILLENIE QUE QUERIA CHEGAR OS SUCESSOS DE BUBKA

Nos 800 metros estavam presentes os três melhores de Paris e dois deles mantiveram estatuto de medalhado, inclusivamente o polaco Adam Kszczotz, que repetiu o Ouro de 2011. Desta vez venceu um pouco mais à vontade que em 2011 (1.48,69), sobre aquele que tinha sido bronze em Paris, o espanhol Kevin López (1.49,31). O ausente Marcin Lewandowski daria lugar a uma medalha do britânico Mukhtrar Mohammed, esta de bronze.

A final dos 1500 metros traziam a dúvida se M. Mekhissi-Benabbad (França) chegaria a um dos títulos europeus que lhe escapava. O francês acabaria mesmo por confirmar que ser campeão europeu de 3000 metros obstáculos, serve também para na pista coberta se sagrar campeão numa distância mais curta. Venceria a “raspar” o recorde dos campeonatos, com 3.37,17 minutos, ainda assim sem recorde pessoal. Seria seguido pelo turco Ilham Ozbillen, que ainda aspirou ao Ouro, mas em vão. Um segundo depois chegaria o outro francês, Simon Denissel.

Renaud Lavillenie era um dos atletas em quem mais expectativas se colocavam, para a sua terceira vitória consecutiva no salto com vara e o atleta não deixou os créditos nas mãos alheias. Com um concurso “limpo” até aos 6.01 metros, altura para a qual o seu adversário Bjorn Otto o “emperrou” ao prescindir até essa fasquia, Lavillenie provou porque é dos melhores atletas europeus da actualidade. Há dois anos, em Paris, havia batido o recorde dos campeonatos (6.03 metros) e depois de Otto ter falhado a 6.01 metros, o francês passou para os 6.07 metros. Após duas tentativas falhadas, surgiu uma terceira tentativa onde após passar e festejar, veria o seu feito anulado por uma bandeira vermelha. A fasquia fora dos apoios, apesar de ficar intacta ao topo, levou ao anular do salto e ao anular do sonho de Lavillenie, que além de novo recorde dos campeonatos, ficaria com a oitava melhor marca mundial de sempre, dentro das 10 melhores marcas da lenda de Sergey Bubka. Irritado pelo nulo, ainda descarregou a energia num dos painéis publicitários do evento, seguido de um choro compulsivo no meio da pista, durante alguns minutos. Os 6.01 metros de hoje foram, contudo, a melhor marca mundial do ano. As restantes duas posições do pódio ficaram para os alemães Bjorn Otto e Malte Mohr, ambos com 5.76 metros.

A final do salto em comprimento trouxe a disputa entre os dois líderes europeus do ano : Aleksandr Menkov (Rússia) e Michel Tornéus (Suécia). Livres do anterior campeão europeu Sebastian Bayer, que ficou a um centímetro de se qualificar para a final, a luta entre ambos foi de titãs. Ao som de palmas duplas, o sueco abriu com “musculados” 8.27 metros, logo batidos pelos 8.28 metros do russo, que calou o público sueco. Os dois não forçariam os seus melhores saltos nos dois restantes ensaios da primeira fase do concurso, guardando nova batalha para a segunda parte. Menkov saltou 8.31 metros no quarto ensaio e Tornéus fez o russo tremer, quando no último salto melhorou para 8.29 metros. Distante desta luta, mas com três saltos acima dos 8 metros, Christian Reif (Alemanha) rendeu Bayer nas medalhas, alcançando o bronze.

Saiu vencedor do heptatlo aquele que já era líder do ano, o holandês Eelco Sintnicolas, hoje com 6372 pontos, novo recorde do seu país e liderança mundial do ano, ele que se aproximou perigosamente do recorde dos campeonatos de Roman Sebrle, a cerca de meia centena de pontos. No segundo lugar concluiria Kevin Mayer (França), com 6297 pontos e no terceiro lugar ocorreu recorde nacional para Mihail Dudas (Sérvia), com 6099 pontos.

Polémica foi a final dos 4x400 metros masculinos, com vários protestos de equipas que tiveram alegadas falhas perante as regras de competição. Acabaria desclassificada a Polónia e reclassificada a Grã-Bretanha, neste caso com a equipa a sair campeã de Gotemburgo, juntando o seu Ouro ao da equipa feminina. Aqui o recorde dos campeonatos esteve em perigo, mas não foi batido. Rússia (3.06,96) e Rep. Checa (3.07,64) completaram o pódio colectivo.

RUTH BEITIA CHEGOU AO OURO QUE PROCURAVA DESDE 2005

Uma das mais fantásticas finais de 60 metros que um Europeu de pista coberta conheceu ocorreu hoje no tartan de Gotemburgo. Separadas por seis centésimos, entre a primeira e última classificadas, Tezdzhan Naimova (Bulgária) foi a primeira a ser marcada pelo operador de photo-finish, com 7,10 segundos, a mesma marca da ucraniana Mariya Ryemyen (Ucrânia), esta última a repetir a prata de Paris, enquanto a terceira classificada seria a francesa Myriam Soumaré (7,11 segundos), ela que chegou a Gotemburgo com o estatuto de campeã europeia de 200 metros ao ar livre. A final foi realmente rápida e das oito participantes, cinco acabariam com recordes pessoais.

A final dos 400 metros era tripartida nas nações participantes : 3 atletas da Grã-Bretanha, 2 da Rep. Checa e 1 da Suécia. Sem a líder do ano Kseniya Ustalova, que caiu na meia-final, sobrava Perri Shakes-Drayton, segunda melhor do ano, que nesta final passou a melhor atleta mundial do ano, com 50,85 segundos, alcançados de forma destacada perante a compatriota Eilidh Child (51,45). Sorriria, após visualizar o resultado no ecrã, Moa Hjelmer, que foi a terceira atleta sueca medalhada, com o novo recorde nacional (52,04).

Prova aberta, era o que se esperava da final dos 800 metros, que tinha a presença da campeã europeia Jennifer Meadows (Grã-Bretanha). A atleta, acabaria por não ter uma final feliz, apesar de nenhuma das atletas baixar dos 2 minutos. Foi melhor a ucraniana Nataliya Lupo , a medalhada de prata no Mundial de pista coberta de 2012, ela que subiu dos 400 para os 800 metros. De leste vieram as restantes medalhas, por Yelena Kotulskaya (Rússia) e Marina Arzamasova (Bielorrússia).

A história dos 3000 metros é mais portuguesa que internacional. Essa história pertence a Sara Moreira, a portuguesa que em 2009 tinha sido medalha de prata e que ambicionou o Ouro para Gotemburgo, uma ambição justamente cumprida. A prova teve, contudo, um pequeno percalço, com as atletas a fazerem uma suposta falsa partida, sucedida de vários empurrões na primeira curva, levando à queda da britânica Lauren Howarth. A queda acabaria por ser minimizada pela repetição da partida. A corrida foi muito lenta e a mil metros do final a portuguesa Sara Moreira acabaria por desferir um ataque “suicida”, perante a falta de argumentos das suas adversárias. E a vitória acabaria mesmo portuguesa, com Sara Moreira a terminar com 8.58,50 minutos, dois segundos exatos mais rápida que a alemã Corinna Harrer, que disputou o pódio com a campeã de crosse, a irlandesa Fionnuala Britton.

Uma das situações históricas a confirmar era se a espanhola Ruth Beitia mantinha o estatuto de medalhada, já que desde 2005 que Beitia consegue medalhas em Europeus de pista coberta. E hoje chegou ao tão ambicionado Ouro, já que somava até aqui quatro medalhas, três delas de prata e uma de bronze. A espanhola saltou, sem falhas, até 1.96 metro, passando a 1.99 metro à segunda tentativa. Nesta altura duas suecas(Ebba Jungmark e Emma Green Tregaro) tentavam contrariar a espanhola com o forte apoio do público local, mas sem conseguir transpor 1.99 metro. Depois foi a tentativa de Beitia, já campeã, de conquistar os 2.02 metros, nas três ocasiões sem chegar lá. A jovem Alessia Trost (Itália) que era a líder do ano, acabaria por ficar fora das medalhas, igualando o quarto lugar com a Anna Iljustsenko (Estónia), ambas com 1.92 metro.

O concurso do triplo salto cedo perdeu a sede da disputa, com a ucraniana Olha Saladuha a pular longos 14.88 metros, um máximo mundial do ano e recorde do seu país. Face a esta qualidade de marca, nenhuma outra saltadora ousou chegar-se perto e as diferenças foram superiores ao meio metro. E a final até era de titãs, com a presença da anterior campeã europeia (Simona La Mantia) e da campeã do Mundo, a britânica Yamilé Aldama. No segundo lugar ficou a segunda melhor do ano, a russa Irina Gumenyuk e em terceiro seria mesmo La Mantia a ganhar nova medalha. A medalha hoje alcançada por Saladuha foi a primeira da sua carreira no evento, na sua estreia.

Foi vice-campeã europeia há dois anos e era este ano a melhor atleta mundial. Christina Schwanitz (Alemanha) venceu hoje a final de lançamento do peso, num duelo acesso com Yevgeniya Kolodko (Rússia). Numa liderança que foi sendo partilhada ao longo dos seis lançamentos, a alemã acabaria por resolver o concurso no último ensaio, o único acima dos 19 metros (19.25 metros). Foi uma das poucas grandes medalhas alcançadas pela Alemanha até ao momento do concurso. Kolodko chegaria a 19.04 metros e a bielorrussa Alena Kopets seria terceira, já abaixo dos 19 metros.

O único recorde dos campeonatos cairia na prova dos 4x400 metros, com a prestação esforçada e rápida da Grã-Bretanha, numa equipa composta pelas suas mais rápidas quatrocentistas. Os 3.27,56 minutos da equipa britânica foram novo recorde nacional, a melhor marca mundial do ano e o recorde dos campeonatos, o primeiro e único alcançado. O anterior recorde pertencia à equipa da Bielorrússia desde 2007 e era de 3.27,83 minutos. Rússia (3.28,18) e Rep. Checa (3.28,39) completaram o pódio.

RÚSSIA, GRÃ-BRETANHA E FRANÇA LUTARAM PARA LÁ DOS QUATRO OUROS

A classificação colectiva, por medalhas, lutou-se pelo número de Ouros e nesse número três equipas empataram com quatro títulos europeus : Rússia, Grã-Bretanha e França. Se somadas todas as medalhas perceber-se-à que as 14 medalhas da Rússia superam em larga vantagem as 8 da Grã-Bretanha e as 9 da França. Não deu, contudo, para que a Rússia subisse na classificação geral de sempre, já que continua a cinco medalhas de Ouro dos britânicos, que durante o Europeu souberam defender a sua posição, muito à custa das duas estafetas douradas. Melhor estaria a Ucrânia, que com duas medalhas de Ouro subiu dois lugares, só não ultrapassando Portugal na classificação porque hoje Portugal conquistou uma medalha de Ouro, por intermédio de Sara Moreira. Apesar de tudo esta medalha de Ouro não permitiu a Portugal subir mais lugares na classificação por medalhas.

Na tabela por classificações até ao 8º lugar, a Rússia foi a única equipa acima da centena de pontos, chegando aos 145 pontos no total, contra os 99 pontos da Grã-Bretanha e os 90 pontos da França. Portugal foi nestes campeonatos a 18ª equipa, com os mesmos 16 pontos da selecção da Grécia.

4x400 masculinos

60 metros femininos

Adam Kszczot

Aleksandr Menkov

Christina Schwanitz

Eelco Sintnicolaas

Mekhissi Bennabad

Nataliya Lupu

Pavel Maslak

Perri Drayton

Ruth Beitia


Enviados Especiais : Edgar Barreira, Filipe Oliveira (fotos), Joana Oliveira e Telmo Rocha

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