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As finais já aqueceram o Scandinavium.
O terceiro dia de competições foi muito mais animado, embora tivesse ficado a faltar a expectativa do recorde europeu por Abeba Aregawi.
Na prova mais rápida do programa, os 60 metros, desceu-se, pela primeira vez nestes campeonatos, dos 6,50 segundos, com a melhor marca mundial do ano de Jimmy Vicaut (França) e de James Dasaolu (Grã-Bretanha), ambos com o registo de 6,48 segundos. A recuperação do francês foi exponencial na parte final da prova, para uma explosão de alegria do próprio, que ficou a seis centésimos do recorde europeu de Dwain Chambers, com um novo recorde pessoal. Com apenas 21 anos, Vicaut não é o mais jovem campeão de sempre nos 60 metros, mas sucede ao mais velho campeão de sempre, o português Francis Obikwelu. O anterior líder europeu do ano, o italiano Michael Tumi, foi terceiro classificado, com mais quatro centésimos.
A prova de fundo dos 3000 metros teve a presença do espanhol Juan Carlos Higuero (7.50,26) a sexta em Europeus, ele que compete com 34 anos de idade. E a sua medalha de prata de hoje, a quarta da carreira neste evento, destitui o britânico John Mayock do “cargo” de medalhado mais antigo na prova de 3000 metros. Mas o vencedor acabaria por ser Hayle Ibrahimov , que percorreu a distância em 7,49,74 minutos, com o terceiro lugar a ficar para o surpreendente Ciaran Ólionáird (Irlanda), com novo recorde pessoal de 7.50,40 minutos.
No salto em altura masculino esperava-se uma boa competição, “apadrinhada” por Stefan Holm, o recordista dos campeonatos que tem estado dentro da pista a entrevistar os atletas para a transmissão televisiva. O russo Sergey Mydrov, segundo melhor do ano à entrada do evento, esteve bastante estável, só falhando por uma vez até 2.31 metros, conseguindo ainda chegar estavelmente até 2.35 metros. Acabaria por não conseguir 2.37 metros, numa altura em que outro russo, Aleksey Dmitrik se encontrava no segundo lugar, em desempate, também falhando 2.37 metros. Vice-campeão em Paris, Jaroslav Bába (Rep. Checa) acabaria terceiro, numa prova onde o campeão da Europa de ar livre, Robbie Grabarz, não foi além do 6º lugar.
O triplo salto não chegou a ter nem o líder europeu do ano, Marian Oprea (Roménia), nem o vice-campeão europeu de pista coberta Fabrizio Donato (Itália), que não participaram na qualificação. Assim, a final acabaria por estar mais em aberto, mas foi italiana a festa, por intermédio de Daniele Greco, que chegou à melhor marca mundial do ano com 17.70 metros. A chamada seria perfeita, o tempo de medição do salto muito demorado, mas terá valido a pena esperar por um registo que ficou a 22 centímetros do recorde mundial para este atleta de 22 anos. Longe ficariam os russos Ruslan Samitov (17.30) e Aleksey Fyodorov (17.12).
Nos 1500 metros esperava-se com expectativa sobre o resultado da recém-naturalizada Abeba Aregawi (Suécia). A ex-etíope entrou na pista para tentar um recorde europeu que perdura desde 2006, por intermédio de Elena Soboleva. Ao som das palmas dos suecos, que viram em Aregawi o nórdico do equipamento, estranhava-se o ritmo forte que foi imposto, chegando no final a ser de mais de 50 metros. Mas no final nem recorde europeu, nem recorde dos campeonatos, com Aregawi a concluir o evento em 4.04,47 minutos. Sem Natalia Rodriguez, foi outra espanhola a chegar à prata, com 4.14,19 minutos, numa luta renhida com a polaca Katarzyna Broniatowska (4.14,30).
Foi muito disputada a prova de salto em comprimento feminino, apesar de nenhuma atleta ter superado os 7.01 metros de Darya Klishina, logo ao primeiro ensaio. A mais inconformada nesta luta foi a francesa Éloyse Lesueur, que deu o seu máximo para ao título europeu ao ar livre somar o de pista coberta. Acabaria por chegar ao recorde francês, com 6.90 metros, mas nada que se parecesse com a liderança mundial do ano de Klishina. Aqui, destaque para a primeira medalha sueca nos campeonatos, de bronze, para Erica Jarder (6.71), que levantou todo o público do Scandinavium.
No salto com vara o desempate teve de ser feito entre Holly Bleasdale (Grã-Bretanha) e Anna Rogowska (Polónia). Ambas chegaram empatadas a 4.67 metros, ambas falharam a 4.72 metros nos três ensaios. Restaria um ensaio de desempate a 4.72 metros e com ambas a falharem o desempate seria feito novamente aos 4.67 metros. Aqui a “morte súbita” foi para Anna Rogowska, a favor da britânica Bleasdale, que se sagrou campeã com 21 anos, ainda assim não ultrapassando a mais jovem campeã de vara de sempre, a islandesa Vala Flosadóttir que em 1996 foi campeã com 18 anos. Para Rogowska cumpriu-se o objectivo da quarta medalha de sempre em Europeus de pista coberta, neste caso a segunda medalha de prata da carreira.
LÍDERES EUROPEUS DOS 400 METROS NÃO VÃO À FINAL POR CAUSA DE QUEDAS…
Destaque negativo para as duas quedas que ocorreram nos 400 metros, ambas na passagem da primeira volta pela meta. A russa Ksniya Ustalova, que participou na primeira meia-final, acabou em queda provocada pela romena Angela Morosanu, ficando arredada da final onde era favorita. O mesmo aconteceria no caso da primeira meia-final masculina, com a presença do irlandês Brian Gregan, que acabaria “calcado”, saindo em maca e em palmas, pelo efusivo público sueco.
RÚSSIA, FRANÇA E ITÁLIA DOMINAM OS CAMPEONATOS
Ao final deste dia é já significativa a análise das medalhas alcançadas, com a Rússia a ser a selecção com mais medalhas , 7 no total. Contam para esta classificação de medalhas as 3 medalhas de Ouro, 2 de Prata e 2 de Bronze. A França segue com 2 medalhas de Ouro, 1 de Prata e 1 de Bronze, enquanto a Itália segura um disputado terceiro lugar, com 1 medalha de Ouro, 1 de Prata e 1 de Bronze.
A mesma tendência acontecer na tabela por classificação até ao 8º lugar de cada prova individual. Aqui a Rússia segue destacada com 76 pontos, mais 18 pontos que a França e no terceiro lugar segue a Itália com 35 pontos. Sem medalhas, Portugal segue no 22º lugar, com somente 4 pontos, fruto do 5º lugar de Marco Fortes logo no primeiro dia de competição. É esperado que Portugal amanhã, no último dia de competições, suba alguns lugares nesta tabela, com a presença de alguns semi-finalistas.







Enviados Especiais : Edgar Barreira, Filipe Oliveira (fotos), Joana Oliveira e Telmo Rocha
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