Em campanha pela lista A, selecionador nacional envolto em polémica.
Leonel Carvalho é o candidato da manutenção da DTN, Jorge Vieira não tem confiança em José Barros, Vitor Mano não quer cargo de Direcção-Técnica Nacional...
Não há quem agrade a gregos e a troianos e no caso de José Barros tudo indica que só Leonel Carvalho vê a sua manutenção como necessária. O trabalho realizado enquanto Diretor-Técnico Nacional, durante os mais de 5 anos passados, tem custado a José Barros os ódios naturais do cargo ocupado. No próximo sábado arrisca-se a passar do topo da estrutura, para o menos desejado da estrutura, o que terá despoletado a carta aberta (ver carta completa abaixo) que escreveu aos eleitores. Ligado à Federação Portuguesa de Atletismo desde 1996, ascendendo dentro do setor de saltos para Técnico Nacional, chegou a 2012 no cargo de responsabilidade máxima. Jorge Vieira já confirmou, em entrevista anterior, que se candidatou já no pressuposto que não encaixaria no perfil de candidato desejado e desenhado por Fernando Mota, onde uma das condições era a manutenção da estrutura da Direção-Técnica Nacional. Nesse perfil encaixa Leonel Carvalho, o candidato da Lista A, que assume a vontade de contar com José Barros no topo da estrutura técnica, ele que está requisitado pela FPA até agosto de 2013. O candidato da Lista C, Vitor Mano, encara a possibilidade de não contar com José Barros, principalmente porque defende a possibilidade de não existir sequer o cargo de Diretor-Técnico Nacional...
A CARTA DE JOSÉ BARROS QUE EXALTOU OS ÂNIMOS ENTRE AS LISTAS
Na semana passada o desconforto começou a nascer após conhecido o facto de José Barros ter realizado campanha pela lista A, de Leonel Carvalho, nos Açores, durante a sua passagem pelas ilhas. O facto, que não foi desmentido por Leonel Carvalho, terá incendiado as vozes que até aqui estavam silenciadas pela pressão de percorrer todas as associações regionais do país. Ao Atleta-Digital, Leonel Carvalho desmentiu que esta tivesse sido uma indicação sua: ”Se o Prof. José Barros foi fazer campanha por mim, foi por iniciativa própria”.
Recentemente o ainda selecionador nacional, Prof. José Barros, escreveu uma carta aberta para todos os associados, começando por garantir que gostaria de não ter qualquer participação na campanha eleitoral em curso”. Os ataques à lista B por parte de José Barros passam pela exclusão da ATAP (Associação de Treinadores de Atletismo de Portugal) do processo eleitoral, mas vão mais longe quando acusa Jorge Vieira da ”tentativa de apropriação de conceitos, projetos, programas, iniciativas que já são uma realidade da responsabilidade da atual Direcção e DTN”. Esta foi uma das acusões que Jorge Vieira já tinha ontem respondida em entrevista ao Atleta-Digital, mas que completou, também ele, com uma carta aberta (carta publicada abaixo) a todos os associados : ”Absurdo é a única palavra que me ocorre”. A carta aberta de José Barros já mereceu o apoio de Alcino Pereira, atual Técnico Nacional de saltos, ele que já terá pedido para o substituirem no cargo, que ocupa desde que José Barros é Diretor-Técnico Nacional.
Outro dos temas explorados em carta por José Barros relaciona-se com o facto de Jorge Vieira ter remetido esclarecimentos para a designação de um Diretor-Técnico Nacional apenas para depois das eleições, uma situação que Jorge Vieira entretanto esclareceu, confirmando que não será ele próprio o candidato a esse lugar, que ficará temporariamente vago se a lista B vencer no próximo sábado. E o motivo que Jorge Vieira aponta para que José Barros não seja o seu DTN foi também esclarecido em carta : ”Desculpa-se tudo isto pela natureza do período de empolgamento que está a viver. Sente-se útil à candidatura que lhe garante a permanência no sistema. Eu não a garanto, não por qualquer dúvida técnica, mas por total falta de confiança pessoal”.
Na resposta a José Barros, Jorge Vieira vai ainda mais longe deixando uma crítica a Fernando Mota, presidente da Federação Portuguesa de Atletismo que sai após esta eleição, depois de mais de duas décadas envolvido no atletismo nacional ao nível de decisão. ”Ninguém
melhor do que o atual presidente pode perceber o que estou a referir, preferiu, porém, deixar que o atual DTN se referisse a um vice presidente da sua, ainda, direcção nos termos em que se referiu”, diz de certa forma ofendido o candidato da lista B, também ele já com antecedentes de Diretor-Técnico Nacional com o presidente Fernando Mota.
No meio desta polémica Leonel Carvalho e Vitor Mano têm tentado manter-se à margem, até porque o candidato da lista C não é referenciado em qualquer uma das cartas, assumindo-se como um candidato de mudança e não de continuidade. Leonel Carvalho teceu poucas considerações sobre o conteúdo da carta de José Barros, considerando que o técnico ”é maior e vacinado”. Tendo tido apenas conhecimento da carta há dois dias, Leonel Carvalho garante que a mesma não foi escrita com a sua sugestão : ”Se José Barros tomou a iniciativa de escrever a carta é porque a entendeu tomar”. O candidato da lista A não sabe se ficou prejudicado ou beneficiado, mas diz não compreender as manobras da lista B, nos corredores , assumindo o seu descontentamento...
É este o balanço dos últimos dias de campanha que terminará com a eleição no próximo sábado, à tarde, onde se espera a presença de todos os associados. Para já só um delegado está em dúvida, o presidente da Associação de Atletismo de Braga, que estando com uma doença prolongada pode não vir a Lisboa depositar o seu voto. Relembre-se a regra eleitoral que impede que o presidente de cada associado possa delegar o seu voto noutro elemento da estrutura. A acontecer serão desperdiçados cinco votos da ATAP, esta que já renunciou à votação há mais de um mês e um voto dos 44 votos destinados às Associações Regionais.
Anexos:
Carta Aberta - José Barros
Carta Aberta - Jorge Vieira
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Por este exemplo se vê quem mandaria na Federação caso a lista A vencesse.
O Sr. General deve afirmar, JÁ, que é ele que controla todo o processo.
Gostava que houvesse mesmo uma mudança...
Tive o prazer de trabalhar com o Prof. José Barros quando era técnico nacional de saltos, e por detrás daquela postura rígida consegui ver o excelente profissional que é, podem dizer que é injusto, eu chamo-lhe rigoroso e exigente! Este homem dedicou a vida ao atletismo, a vida académica (se tivessem noção de metade do curriculum não diziam tantas barbaridades) prejudicou a vida familiar, e depois de tudo isto leva um pontapé nu rabo porque não gostam dele e é obrigado a pôr a sua excelente formação académica na gaveta para ir dar aulas de educação física...não faz sentido. Ele é especialista em alto rendimento! O que é que ele vai fazer para a escola? É assim que tos querem medalhas nas competições internacionais? Axo que já chega de gente ressabiada a mandar postas de pescada! Acaso ou não este Senhor foi responsável pelos saltos no melhor momento que este sector alguma vez teve!
directiva na FPA, surja apenas agora com um conjunto de projectos supostamente “inovadores” em prol da
modalidade! Mas não tiveram ao longo de todo este tempo disponibilidade e motivação para os apresentar e
defender? Ou efectivamente não passam, na sua maioria de projectos, iniciativas que já são uma realidade, e
da responsabilidade de outros? (basta ler os planos de actividade e relatórios da FPA)."