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Final dos 10000 metros com três europeus...
Nesta final o português Rui Silva fez renascer a distância, na sua segunda participação em 10000 metros.
A final directa dos 10000 metros merecerá talvez uma reflexão do atletismo internacional, porque novamente um número relativamente baixo de participantes (19 no total), sendo apenas três deles europeus mostra que a hegemonia de dois ou três países está a terminar com a motivação dos melhores atletas mundiais. Hoje estiveram presentes 11 países, apenas quatro deles com mais do que um atleta presente, nomeadamente a Etiópia (4 atletas), Quénia e EUA (3 atletas) e Eritreia (2 atletas). Estranhamente os espanhóis eclipsaram-se nesta luta pelos 10000 metros, o que já tinha ontem acontecido na prova feminina...
Depois de ontem os 10000 metros femininos terem sido totalmente dominados pelas quenianas, hoje a Etiópia acabou por fazer uma boa vingança, não tão expressiva, mas conseguindo que o Quénia não atingisse qualquer medalha, mesmo com o falhanço total de Kenenisa Bekele, regressado após longo tempo de paragem por lesão e que abandonou cedo. Uma boa parte das 25 voltas foram realizadas em grupo, mas com ritmos a acelerarem após uma primeira fase lenta e que foi desfazendo o grupo, com o português Rui Silva a descolar cedo. Sempre se notou que o britânico Mo Farah, um dos favoritos à vitória, se encontrava bem e atento e no momento do derradeiro esticão o britânico chegou-se à frente. Aos 8000 metros o ataque de Farah demoliu com uma boa parte do grupo e no seu encalce sempre seguiram os etíopes Ibrahim Jeilan e Imane Merga, com o eritreu Zersenay Tadese a levar consigo os quenianos Martin Mathathi e Peter Kirui.
O derradeiro final ocorreu na última volta, com um ataque ainda mais forte por parte de Mo Farah que tomou até vantagem sobre os atletas etíopes e foi apenas na última curva que Ibrahim Jeilan chegou junto do britânico para um lado a lado muito interessante na recta da meta. E Jeilan estragou mesmo a festa a Mo Farah, com uma ponta final fortíssima, chegando em 27.13,81 minutos, logo seguido de Farah com 27.14,07 minutos. O fecho do pódio acabaria para Merga (27.19,14 minutos) relegando Tadese para 4º lugar, ele que tinha sido medalha de Prata há dois anos com a presença de Kenenisa Bekele.
Daí para trás os atletas foram chegando e o segundo melhor europeu seria mesmo o português Rui Silva, no 11º lugar, classificação meritória, mesmo que não acompanhe algumas das medalhas que lhe deram o sucesso nos 1500 metros. O português chegou mesmo a ser dobrado pelo grupo dos principais atletas e concluiu em 28.48,62 minutos, que é afinal a melhor presença portuguesa nos 10000 metros em Mundiais desde que em 1999 António Pinto conseguiu o 5º lugar em Sevilha. Não se pediria muito mais a um atleta que correu pela segunda vez a distância e que tinha um lote de adversários muito mais fortes. À RTP o atleta referia isso mesmo, considerando a importância do resultado para continuar a ser apoiado no programa de preparação olímpica que o pretenderá levar aos Jogos Olímpicos de Londres, no próximo ano, provavelmente na mesma distância que hoje correu...
RESULTADOS (10000 m – Final)
1. Ibrahim Jeilan (Etiópia) – 27.13,81
2. Mohamed Farah (Grã-Bretanha) – 27.14,07
3. Imane Merga (Etiópia) – 27.19,14
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11. Rui Silva (Portugal) – 28.48,62
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