[ALBUFEIRA10] Edição memorável

Segunda, 13 Dezembro 2010
[ALBUFEIRA10] Edição memorável

Portugal, Grã-Bretanha e Lebid fizeram a história deste Europeu de Corta-Mato.

A selecção nacional mostrou uma geração de Ouro e o ucraniano Serhiy Lebid arriscou e fez história. 

A edição 2010 do Europeu de Corta-Mato esteve excepcional, em termos organizativos e também em termos desportivos e neste particular se Lebid guardará para sempre recordações da vitória na Pista das Açoteias, a selecção nacional foi a mais homogénea de sempre honrando as cores nacionais e brilhando com a muita presença de público.

Nos escalões jovens, de Juniores e Sub-23, foi a Grã-Bretanha que deu o espetáculo, ainda por cima no Algarve, zona turística em que a presença de ingleses é uma constante. Os Ouros colectivos apareceram aqui nos dois géneros Juniores e ainda em Sub-23 femininos, com medalhas individuais das juniores femininas Charlotte Purdue (Ouro) e Emelia Gorecka (Bronze) e da Sub-23 Emma Pallant (Bronze). Foram aliás as únicas medalhas da Grã-Bretanha, que se viu orfã de Mo Farah, em séniores masculinos, e de uma desinspirada Hayley Yelling, que depois de no ano passado ter sido campeã europeia, foi este ano apenas 28ª classificada (!).

O destaque mais histórico desta edição vai para o ucraniano Serhiy Lebid, que obteve pela nona vez o Ouro individual, sendo ainda mais líder no número de vitórias individuais em Europeus de Corta-Mato, já que partilhava o lugar com o português Paulo Guerra. O atleta que teve a honra de ter participado na primeira edição dos Europeus de Corta-Mato (em Alnwick, 1994), alcançou assim a 13ª medalha neste evento. É justo recordar todas as medalhas deste atleta que aparece sempre bem em Europeus de Corta-Mato : Ouro (Ferrara 1998, Thun 2001, Medulin 2002, Edimburgo 2003, Heringsdorf 2004, Tilburg 2005, Toro 2007, Bruxelas 2008, Albufeira 2010), Prata (Malmo 2000) e Bronze (Oeiras 1997, Dublin 2009), tendo ainda de contar com o Bronze colectivo obtido em Tilburg 2005. Mas a vitória de Lebid voltou a ser emocionante e quando, perto da entrada da última volta, Lebid seguia mais atrás e parecia fora da corrida (chegou a correr ao lado do português Eduardo Mbengani), saiu disparado para uma última volta canhão e com uma recta final impressionante, como se tratasse de um jovem de 20 anos. Voltou assim a abrir os braços e a cortar uma meta que já não tem segredos para si e tornou ainda mais mítica a sua figura. A pista das Açoteias ficará, com certeza, na retina do ucraniano que se equipara ao “Bekele” da Europa.

Já Portugal, soube organizar um evento que teve uma parceria forte com todas as entidades e aqui será justo incluir a RTP, televisão estatal portuguesa, que ao transmitir 6 horas em directo do evento fez, de facto, serviço público e mostrou a todos os portugueses tantas glórias do atletismo nacional, numa só prova, como há muito não se via...aliás com tantas medalhas que nunca se viram no corta-mato, mesmo contando com os momentos áureos do fundo nacional. As efemérides quase pareciam de propósito, mas foi há 10 anos que Jéssica Augusto conquistou o Ouro nas Juniores femininas e que nesta edição reproduziu em Seniores femininas, os mesmos 10 anos de jejum que Portugal teve para obter uma medalha individual no escalão de Juniores, que desta vez foi feito obtido no sector masculino, pelas pernas de Rui Pinto. Essas mesmas pernas e a de outros juniores masculinos portugueses também conquistaram a Prata colectiva, apenas pior que a medalha de Ouro colectiva dos juniores masculinos de há 10 anos, selecção onde participou Rui Pedro Silva, ontem fundamental na selecção masculina sénior. As Açoteias ficaram também marcadas pela primeira medalha de um naturalizado português, em Europeus de Corta-Mato, com o bronze de Youssef el Kalai que protagonizou um momento ainda mais comovente que a própria medalha de Ouro de Jéssica Augusto, este pela sua história de vida, enquanto que a de Jéssica pela persistência na perseguição do Ouro, aliás o único Ouro individual que Portugal já teve em séniores femininos. Mas se o Ouro de Jéssica foi importante, não menos importante foi o Ouro colectivo da equipa feminina, que pela primeira vez foi o terceiro Ouro consecutivo na história da competição e também o Ouro com menor pontuação colectiva (somente 19 pontos), bem espelhado pelas cinco primeiras portuguesas no top-10 individual, onde o bronze de Dulce Félix foi agradável de sentir. Entre efemérides e curiosidades, Portugal acabou mesmo no segundo lugar da tabela medalhas, com o mesmo número de medalhas que a Grã-Bretanha, apenas batido pelo menor número de Ouros.

Partida

PISTA DAS AÇOTEIAS MARCA EDIÇÃO HISTÓRICA

Esta foi uma edição com mais impacto que a de Oeiras, quando Portugal organizou pela primeira vez o Europeu de Corta-Mato, decorria o ano de 1997. O impacto sentiu-se no imenso público presente, no impacto desportivo e nos diversos elogios feitos ao percurso, fazendo recordar a muitos o histórico Corta-Mato das Amendoeiras em Flor, que pode ter saído reforçado com esta edição do Europeu de Corta-Mato. Aliás, no meio de um sentimento de dever cumprido, o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Prof. Fernando Mota alegou vontade para organizar o Mundial de Corta-Mato, em 2013, um ânimo reflectido em Lara Ramos, um dos garantes da pista das Açoteias, mas esbarrado na moderação do Secretário de Estado do Desportivo, Laurentino Dias, que não abriu o jogo quanto a esta possibilidade.

O impacto não existiu apenas em Portugal, já que muitos países transmitiram esta edição do Europeu de Corta-Mato, com o presidente da Associação Europeia de Atletismo, Hansjörg Wirz, a considerar esta “uma das maiores edições de sempre” do Europeu de Corta-Mato. Alguns recordes foram obtidos, como o de maior número países participantes (34 países, contra os anteriores 33 países), com cerca de 5000 espectadores presentes. O recorde de participantes no escalão de sub-23 masculinos foi estrondoso, com presença de 103 atletas (contra os 85 do anterior recorde), com recorde semelhante em juniores masculino (104 atletas). Os 468 atletas presentes no total das seis provas representam igual máximo alcançado em 2006 e 2008.

Portugal deixou assim difícil tarefa a cidade eslovena de Velenje, que acolhe pela segunda vez um Europeu de Corta-Mato, depois da edição de 1999, onde Portugal tem boas memórias (Ouro para Paulo Guerra, Prata para Eduardo Henriques, Prata colectiva em séniores masculinos, Bronze colectivo em séniores femininas e Prata colectiva em juniores femininas). Apenas a cidade de Alnwick, na Grã-Bretanha, acolheu por duas vezes o evento, nos dois primeiros anos do Europeu de Corta-Mato. Quem sabe não seja essa uma edição de consolidação do fundo nacional, já que as equipas femininas deverão permanecer semelhantes e o acréscimo de disputa dos lugares masculinos para as equipas masculinas tragam alguma esperança...

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