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Haile Gebrselassie anunciou o fim da carreira.
A Maratona de Nova Iorque decorreu hoje em pompa e circunstância, como sempre, com vitórias de Gebre Gebremariam (2:08.14) e Edna Kiplagat (2:28.20).
A Maratona de Nova Iorque, que existe desde 1970, teve hoje mais uma edição nas estradas nova-iorquinas, disputada até final em cada um dos géneros e com a presença de uma portuguesa entre os participantes de elite, a fundista Ana Dulce Félix.
Dulce Félix, que foi convidada pela Organização e aceitou o desafio de tentar completar a distância da Maratona, na sua estreia, fez uma longa preparação para o evento, que acabou frustrada. Num bom momento de forma, Dulce Félix foi com as atletas da frente até aos 25 quilómetros, numa altura em que a corrida se preparava para uma aceleração. Acabou por quebrar no seu ritmo e aos 33 quilómetros, a portuguesa não conseguiu aguentar mais o mau-estar : “Lutei com todas as minhas forças para ultrapassar o mau-estar mas aos 33 km fui obrigada a parar”, disse a portuguesa no seu site. Contudo prometeu não baixar os braços e espera voltar à distância da Maratona quando existir de novo essa possibilidade.
PROVAS DECIDIDAS NOS ÚLTIMOS TRÊS QUILÓMETROS
Tanto a prova masculina, como a prova feminina, que tiveram partidas em separado e distanciadas no tempo uma da outra, tiveram vitórias só decididas nos últimos três quilómetros.
O etíope Gebre Gebremariam veio com os quenianos Emmanuel Mutai e Moses Kipkosgei até perto dos 35 quilómetros, ficando apenas com Mutai até aos 39 quilómetros. Depois de se ter libertado do gorro e das luvas, o antigo campeão mundial de corta-mato impôs a sua energia numa subida e acabou com um triunfo com a marca de 2:08.14 horas, ainda assim aquém do recorde da competição. Mais atrás chegariam os outros dois quenianos, Mutai (2:09.18) e Kipkosgei (2:10.39). O melhor não africano acabaria por ser o vencedor do ano passado, o norte-americano Meb Keflezighi (em 6º lugar com o registo de 2:11.38 horas) e o melhor europeu o italiano Filippo Picollo (em 20º lugar com o registo de 2:23.10 horas).
Do lado feminino, foi aos 40 quilómetros, aproveitando uma subida, que a queniana Edna Kiplagat lançou um ataque forte, deixando logo para trás aquela que vinha a trabalhar na frente da corrida feminina durante largos quilómetros, a estreante na distância Shalane Flanagan, a correr no seu país. Mary Keitany (Quénia) ainda aguentou alguns metros no encalce de Kiplagat, mas acabaria mesmo por ser Edna Kiplagat a triunfar com o tempo de 2:28.20 horas. A disputa pelos dois restantes lugares do pódio, fez-se entre Flanagan e Keitany, com a segunda a levar a melhor, com o forte apoio do público de Nova Iorque. A melhor europeia foi a russa Inga Abitova (em 4º lugar com o registo de 2:29.17 horas), uma das grandes responsávei pelo aumentar do ritmo quando Dulce Félix se encontrava mais frágil.
RECORDISTA MUNDIAL ANUNCIOU O FIM DA CARREIRA
O etíope Haile Gebrselassie participou hoje na Maratona de Nova Iorque com o intuíto de tentar uma vitória que faltava à sua longa e bem sucedida carreira. Com um recorde pessoal de 2:03.59 horas, Gebrselassie era assim o grande favorito à vitória final, mas também aos 25 quilómetros sentiu dificuldades, com dores no joelho relacionadas com uma tendinite. No final, a quente, Gebrselassie não deixou de se sentir decepcionado: “É hora de sair e dar oportunidade para os jovens”. E acrescentou: “Nunca pensei em abandonar. Pela primeira vez, este é o dia”. Restará saber se foi apenas uma reacção a quente, ou uma decisão final, já que Haile Gebrselassie é um dos atletas mais históricos do atletismo mundial.
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