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Edi Maia com mínimos para o Europeu de Ar Livre.
Foi uma jornada emocionante, não pelos primeiros lugares, mas pelas disputas pelo pódio.
O Campeonato Nacional de Clubes deste ano trouxe uma novidade, a estreia da vitória colectiva do Futebol Clube do Porto que com a presença de oito estrangeiras, à luz do regulamento actual. A derrota do Sporting no sector feminino era quase inevitável e a queda nas barreiras, ontem, de Mónica Lopes ditou o resto. Emocionante foi a disputa pelo terceiro lugar até final e essa disputa só foi decidida na última prova, os 4x400 metros, onde a equipa da JOMA venceu. Como a JOMA possuía uma desvantagem de dois pontos e o Benfica classificou-se no terceiro lugar nessa prova, por desempate de segundos lugares a JOMA subiu ao lugar mais baixo do pódio.
Do lado masculino a vitória do Sporting foi expressiva sobre o Benfica (19 pontos de diferença). A equipa do Sporting foi regular e mais que justa vencedora, com a equipa do Benfica com ligeiros azares de percurso. O terceiro lugar também foi disputado, mas novamente a JOMA conquistou o último lugar do pódio com três pontos de vantagem sobre a equipa leiriense da Juventude Vidigalense.
No final Fernando Oliveira (director da secção de atletismo do FC Porto) estava contente. “A primeira vitória é sempre importante”, referindo-se à vitória feminina da equipa portista. Considerando que é já um trabalho que vem da Pista Coberta, Fernando Oliveira considera que cumpriu o regulamento e pretende prosseguir com o investimento no próximo ano, no mercando nacional, já que as novas regras prometem não permitirem o uso de tantas estrangeiras. Segundo o mesmo, o FC Porto tentou contratar atletas portuguesas, nomeadamente Vera Barbosa e Lecabela Quaresma, mas que após não cumprirem os requisitos de treinarem com técnicos do clube, houve quebra do acordo e recurso às atletas estrangeiras. Prof. João Campos (técnico do clube) considerou que a prova correu como esperava e lançou um desabafo “Num país de fundistas a melhor fundistas presente foi a Polina Jelizarova…”
Por parte do Prof. Moniz Pereira, histórico director do atletismo leonino, considerou que a queda de Mónica Lopes dificultou a luta pela classificação feminina e quanto à vitória colectiva do Porto fazendo recurso a estrangeiras, foi directo “Cumpre o regulamento, não tenho nada a opor. O que eu critico é o Governo português...”. Não considerando a sua saída ainda como hipótese, com 89 anos espera continuar…
A 2ª divisão, que se realizou também em Lisboa, teve vitória masculina do CCD Ribeirão, seguida do CIA Ilha Azul (participou devido à desistência do FC Porto (!)) e do GD Estreito, enquanto que nos femininos a vitória foi do GRECAS (com um dia mais fraco que o de ontem), seguido do Gira-Sol e do Belenenses. Quanto 3ª divisão teve o CN Rio Maior como campeão masculino, seguido do GR Quinta da Lomba e do GD Cavadas enquanto que do lado feminino o CA Mazarefes venceu com igualdade pontual a JA Mozelense, ficando em terceiro lugar, também com igualdade pontual, a UD Zona Alta (a ADR Águas Belas ficou com o mesmo número de pontos.
EDI MAIA COM MÍNIMOS PARA BARCELONA
Foi um Edi Maia (Sporting) forte e elevado o que se apresentou hoje neste Campeonato Nacional de Clubes, mais próximo do recorde nacional, mas acima de tudo ao obter mínimos para o Campeonato da Europa de Ar Livre. Os 5.55 metros obtidos pelo varista leonino são um bom indicador para o Campeonato da Europa das Nações, onde quer fazer 5.61 metros “se estiver bom tempo”. Aliás, o atleta tentou, quase com sucesso, esta fasquia, o que pode querer significar que ser o segundo melhor português de sempre está para breve. “Esperava um pouco mais , esperava os 5.61 metros, mas está para breve”.
Marcos Chuva (Benfica) não obteve mínimos, mas bem que ficou perto deles (a 5 centímetros dos mínimos internacionais). Os 8.15 metros, ventosos, foram o brilho do seu concurso de salto em comprimento, que o tornaram largamente vitorioso com 79 centímetros de vantagem sobre Gaspar Araújo (Sporting). “Gosto muito desta pista”, disse o saltador benfiquista que tem ainda o objectivo da presença no Campeonato da Europa de Ar Livre e saltar acima dos 8 metros, homologáveis…
Arnaldo Abrantes (Sporting) foi outro dos bons resultados alcançados nesta tarde, ao triunfar em 20,86 segundos, mas não homologável por causa do vento a favor. “Não estou preocupado em atingir os mínimos já” disse Arnaldo Abrantes que se o tempo não fosse ventoso teria ficado a um centésimo dos mínimos para os Europeus de Ar Livre. O atleta do Sporting correrá ainda algumas provas de 100 metros esta época, mas se atingir mínimos para os 100 metros para o Europeu de Ar Livre, irá preferir correr os 200 metros.
Outro grande resultado foi o de Fábio Gonçalves (Benfica) nos 800 metros, que desde início puxou a corrida para um ritmo muito rápido, novamente abaixo do 1.50 minuto e deverá hoje ter conseguido presença para o Campeonato da Europa de Equipa, derrotando José Martins (Gira-Sol) e Hélio Gomes (Sporting).
Uma disputa milimétrica ocorreu nos 3000 metros obstáculos masculinos, onde até final Alberto Paulo (Marítimo) e Mário Teixeira (Sporting) disputaram a vitória que provavelmente decidia a presença em Budapeste. A vitória recaiu para Alberto Paulo (Marítimo) com o tempo de 8.44,77 minutos, apenas com um centésimo de vantagem sobre Mário Teixeira (Sporting).
NAIDE GOMES A VOZ DO DESCONTENTAMENTO
A saltadora Naide Gomes (Sporting) obteve um dos melhores resultados da tarde, apesar de ventoso. Os 6.84 metros alcançados pela sportinguista logo no primeiro salto foram suficientes para derrotar a portista Ineta Radevica (6.47 metros), mas a partir daí problemas no joelho não lhe permitiram mais. “Tentei gerir mas estava com dores no joelho” disse Naide Gomes que não está preocupada com o seu actual momento de forma: “tenho tempo para chegar a Barcelona em forma”. A atleta não deixou de falar da polémica questão sobre a utilização de várias estrangeiras por parte do FC Porto : “Custa perder um titulo colectivo assim”. Naide Gomes não é contra a utilização de duas ou três estrangeiras e apesar de tudo garantiu que o grupo de trabalho continuava muito unido.
A presença de estrangeiras do FC Porto neste segundo dia, permitiu mais de metade das vitórias individuais. Lina Grincikaite (23,38 segundos nos 200 metros), Egle Balciunaite (2.03,27 minutos nos 800 metros), Polina Jelizarova (9.25,77 minutos nos 3000 metros), Natajla Cakova (1.80 metros no salto em altura), Austra Skujyte (17.05 metros no peso) foram as vitórias estrangeiras, que Naide Gomes criticou.
Outro bom resultado foi o de Catarina Costa (Benfica) que saltou 1.74 metro, uma marca que a poderá transportar para Budapeste, para o Campeonato da Europa de Equipas e que ficou não muito longe da marca alcançada pela vencedora.
ALGUNS CASOS POLÉMICOS
Este Campeonato Nacional de Clubes ficou marcado por algumas decisões polémicas, mas a mais flagrante a que ocorreu nos 400 metros barreiras femininos, onde inicialmente Vera Barbosa (JOMA) havia sido desclassificada por derrube ostensivo das barreiras, apesar da atleta apenas derrubar a última barreira, mas sem nenhum procedimento ilegal. Essa decisão gerou alguma dúvida, mas o resultado foi reposto à atleta da JOMA, tendo sido fundamental para objectivos individuais (por motivos de Alta Competição) e colectivos (o JOMA empatou pontualmente com o a equipa do Benfica).
RESULTADOS (1ª Divisão)
Masculinos:
200 m – Arnaldo Abrantes (Sporting CP) – 20,86 (+2.2 m/s)
800 m – Fábio Gonçalves (SL Benfica) – 1.49,92
3000 m - Ricardo Mateus (Sporting CP) – 8.26,31
400 m Barr – Bruno Gualberto (Juv. Vidigalense) – 51,95
3000 m Obstáculos – Alberto Paulo (CS Marítimo) – 8.44,77
Comprimento – Marcos Chuva (SL Benfica) – 8.16 (+3.5 m/s)
Vara – Edi Maia (Sporting CP) - 5.55
Disco – Jorge Grave (Sporting CP) – 55.11
Martelo – Dário Manso (Sporting CP) – 68.70
4x400 m – Sporting CP – 3.13,79
Femininos
200 m – Lina Grincikaite (FC Porto) – 23,38 (+1.2 m/s) | Sónia Tavares (Sporting CP) – 23,80
800 m – Egle Balciunaite (FC Porto) – 2.03,27 | Sandra Teixeira (Sporting CP) – 2.05,82
3000 m – Polina Jelizarova (FC Porto) – 9.25,77 | Ercília Machado (SC Braga) – 9.42,33
400 m Barr – Patrícia Lopes (Sporting CP) – 58,71
Comprimento – Naide Gomes (Sporting CP) – 6.84 (+2.1 m/s)
Altura – Natajla Cakova (FC Porto) – 1.80 | Catarina Costa (SL Benfica) – 1.74
Peso – Austra Skujyte (FC Porto) – 17.05 | Antónia Borges (Sporting CP) – 15.50
Dardo – Sílvia Cruz (Sporting CP) – 53.05
4x400 m – JOMA – 3.47,80
RESULTADOS (2ª Divisão)
Masculinos
200 m – Raul Veloso (CCD Ribeirão) – 22,61
800 m – Renato Silva (CCD Ribeirão) – 1.52,31
3000 m - Luís Mendes (GD Estreito) – 8.35,13
400 m Barr – Roberto Nóbrega (ADRAP) – 55,96
3000 m Obstáculos – Artur Rodrigues (NA Cucujães) – 9.25,54
Comprimento – Sérgio Silva (CCD Ribeirão) – 6.81
Vara – Hugo Serra (CIA Ilha Azul) – 4.48
Disco – Paulo Pereira (CCSJ Madeira) – 41.72
Martelo – Flávio Azevedo (CIA Ilha Azul) – 50.57
4x400 m – CCD Ribeirão -3.24,93
Femininos
200 m – Graciela Martins (GR Quinta Lomba) – 26,34
800 m – Neide Dias (CF Belenenses) – 2.15,08
3000 m – Helena Sampaio (GRECAS) – 10.22,88
400 m Barr – Cristiana Cunha (Gira-Sol)
Altura – Vanessa Alves (GRECAS) – 1.55
Comprimento – Jéssica Ferrero (AA Pinhalnovense) – 5.23
Dardo – Cristina Ferreira (A Jardim Serra) – 42.83
Peso – Soraia Ruas (ADRE Palhaça) – 12.93
4x400 m – Gira-Sol - 4.04,89
 O momento polémico do segundo dia que desclassificou, num primeiro momento, Vera Barbosa (à esquerda) por derrube ostensivo da barreira.
 Naide Gomes (Sporting) foi a melhor neste segundo dia de provas.
 Recorde pessoal para Edi Maia (Sporting) no salto com vara masculino.
 Fábio Gonçalves (Benfica) poderá aqui ter garantido a presença para o Campeonato da Europa de Equipas, nos 800 metros.
 No salto em comprimento Marcos Chuva (Benfica) foi avassalador e esteve a nível para mínimos.
 Alberto Paulo (Marítimo) e Mário Teixeira (Sporting) lutaram na recta da meta por um lugar no Campeonato Europeu de Equipas, nos 3000 metros obstáculos.
 Vera Barbosa (JOMA) deu o terceiro lugar colectivo à sua equipa, depois de bater Sandra Teixeira (Sporting) na parte final dos 4x400 metros femininos e deixar a equipa do Benfica no 3º lugar da prova.
Enviados Especiais : Edgar Barreira e Joana Oliveira (fotos)
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Vale tudo
Agora mamem a bucha"
Já agora provavelmente não conseguem reforçar-se a nivel nacional pois prometem que pagam e depois os atletas ficam a ver o dinheiro pelo canudo. E falo com conhecimento de causa estou á 3 anos para ver o dinheiro de uma época.