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Jéssica Augusto alcançou com distinção mínimos para Doha.
Foi uma tarde de bom nível para os portugueses participantes, onde além do excelente resultado de Jéssica Augusto, Naide Gomes triunfou no comprimento.
O Meeting de Birmingham era um dos principais meetings desta época de Inverno e comprovou esse estatuto com a queda de vários recordes nacionais e recordes pessoais, numa altura em que os atletas se preparam para o Mundial de Pista Coberta, que se disputa em Doha (Qatar), dentro de três semanas.
O RECORDE EUROPEU DE JÉSSICA E A VITÓRIA DE NAIDE GOMES
Jéssica Augusto, que havia ficado à porta dos mínimos dos 3000 metros para Doha, há cerca de uma semana, esteve esta tarde melhor que nunca e além de uma passagem aos 3000 metros de 8.42,20 minutos (quase 13 segundos mais rápida que os mínimos impostos para Portugal), a portuguesa estabeleceu a melhor marca europeia de sempre nas 2 Milhas, prova em que participou. O tempo de 9.19,39 minutos foi o mais rápido de sempre realizado por uma europeia, nesta que é uma prova raramente corrida. Ficou assim em 4º lugar, atrás de Tirunesh Dibaba (9.12,23), Vivian Cheruiyot (9.12,35) e de Sentayehu Ejigu (9.12,68), que disputaram entre si pela vitória. A outra portuguesa envolvida neste evento foi Sara Moreira, que correu as 2 Milhas em 9.47,99 minutos e na passagem aos 3000 metros não conseguiu os mínimos.
“Senti-me bem, a prova ia para recorde do mundo e eu aproveitei. Estou feliz pela minha marca e por ter levado o nome de Portugal mais longe”, disse Jéssica Augusto no final.
No salto em comprimento, Naide Gomes foi superior a todas as suas adversárias e triunfou no concurso com 6.69 metros, marca com que abriu o concurso, não mais melhorando ao longo do concurso (6.69-6.68-X-6.66-X-6.62), apesar de ter sido regular acima dos 6.60 metros. Derrotou a sua mais directa adversária, a cubana Yargelis Savigne, por 14 centímetros, ganhando em Birmingham, mas ainda assim não sente ser um resultado suficiente para preparar o Mundial de Pista Coberta, embora ainda não tenha tomado a decisão : “Eu preciso de saltar acima dos 6.80 metros para defender o meu título mundial, que alcancei há dois anos. Eu preciso de saltos maiores, mas não tenho mais competições para isso. Amanhã irei trabalhar na minha técnica e decidirei se vou a Doha”, confessou a portuguesa no final.
Perto dos mínimos esteve Bruno Albuquerque que correu os 1500 metros em óptimos 3.41,38 minutos, um novo recorde pessoal e a somente 1.38 segundos do passaporte para o Qatar.
AUSÊNCIA DE BEKELE RETIROU A CEREJA DO TOPO
O Meeting de Birmingham foi, porventura, um dos melhores dos últimos anos, com muitos recordes pessoais e nacionais, onde apenas faltou um recorde mundial e esse estava previsto, pela mão do etíope Kenenisa Bekele, nos 3000 metros, que abortou a sua participação à última hora por causa de uma lesão.
Com Tirunesh Dibaba (Etiópia), nas 2 Milhas, a falhar o recorde mundial, esta foi das provas mais emotivas, com três atletas separadas no final por menos de meio segundo. O mesmo ocorreu na 1 Milha feminina, onde a etíope Gelete Burka saiu vencedora (4.23,53), mas seguida de perto por Kakedan Gezahegn (4.24,10) e Maryam Jamal (4.24,71), numa prova onde das dez participantes, saíram sete recordes pessoais e um recorde nacional, o da norueguesa Ingvill Makestad (4.28,49). Com esta marca, Burka entrou no top-10 das melhores marcas mundiais de sempre.
Um dos resultados de enorme valia da tarde veio da brasileira Fabiana Murer, que no salto com vara alcançou fabulosos 4.82 metros e aos poucos começa a ser uma forte oponente de Isinbayeva, que tem dominado a disciplina nos últimos anos. Esta marca é novo recorde brasileiro e uma esperança de uma atleta medalhada este ano, que ascendeu a quarta melhor de sempre na pista coberta.
Nos 400 metros masculinos, os dois primeiros classificados correram rápida a distância e transformaram as suas marcas em recordes nacionais dos seus países. David Gillick (Irlanda) triunfou com 45,52 segundos, a segunda melhor marca mundial da época, seguido já distante por Rabah Yousif (Sudão) que ao completar em 46,24 segundos, obteve novo recorde nacional do seu país.
Os 1500 metros, também masculinos, trouxeram nova vitória etíope, por parte de Deresse Mekonnen, que teve de bater-se com o queniano Augustine Choge para sair vitorioso, com o registo de 3.33,10 minutos, em prova onde caiu outro recorde nacional, o do neo-zelandês Nick Willis (3.35,80). Mekonen é agora o quinto atleta mais rápido de sempre na distância, com a marca alcançada hoje.
Nos 60 metros femininos Carmelita Jeter (EUA) disparou para 7,06 segundos, um centésimo pior que o seu melhor nesta época. Na final masculina, o melhor foi o norte-americano Michael Rodgers, com 6,67 segundos.
O Triplo Salto masculino trouxe de volta um Christian Olsson (Suécia) vencedor, após vários meses parado por lesão. O sueco obteve a melhor marca mundial do ano, ao saltar 17.32 metros, num concurso onde cinco atletas saltaram acima dos 17 metros : Olsson (17.32), Betanzos (17.30), Girat (17.26), Idowu (17.25) e Copello (17.18).
Sem a presença da britânica Jessica Ennis, os 60 metros barreiras femininos acabaram na mão da norte-americana Danielle Carruthers, com o tempo de 7,95 segundos. Melhor esteve Dayron Robles no sector masculino, que foi claro vencedor em 7,44 segundos, a sua melhor marca da época e a apenas um centésimo da melhor marca mundial do ano.
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