O repórter infiltrado na Meia de Portugal |
| Segunda, 29 Setembro 2008 | |||||||
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O nosso colaborador João Pateira, um dos interveniente do programa de rádio atletONews, foi o elemento destacado pelo Atleta-Digital.com para acompanhar a Meia-Maratona de Portugal. A correr a distância de meia-maratona, num tempo abaixo da 1:30 hora, o nosso "repórter infiltrado" dá-nos o seu olhar sobre o que se passou nesta prova, na manhã de 28 de Setembro...
O Repórter "Infiltrado Digital" esteve presente na Meia Maratona de Portugal, corrida no dia 28 em Lisboa, e traz aqui uma visão diferente da prova. O ponto de vista do participante. "Foi a 3ª vez que, entre mini e meia-maratona, participei nesta prova. Percurso duro e exigente, muita gente, terrível último quilómetro em empedrado mas sempre a sensação de ter completado um desafio quando se cruza a meta no Parque das Nações. Este ano tive a sorte de ter companhia desde o segundo quilómetro até à meta e essa companhia não era nada mais nada menos que uma atleta Portuguesa de nível mundial! Não comecem a pensar que o Atleta Digital agora tem Repórter Infiltrado ao nível da Elite feminina… Ainda não… Esta atleta vem de outro tipo de provas. Foi muito agradável correr com a Inês Henriques, conhecida marchadora que tem um recorde pessoal impressionante nos 20km Marcha de 1h30m24s (Royal Leamington Spa 20.05.2007). Após uma época em cheio, e num período de "descanso" entre épocas, a Inês vai fazendo uma corridas como forma de descompressão de meses e meses de dedicação à marcha e para ir mantendo algum nível de endurance. Mas antes de chegar a esse segundo quilómetro ainda muito se passou. Apesar da previsão de chuva as nuvens mantiveram-se à distância e tivemos sol durante toda a prova. O vento que já soprava na ponte fazia adivinhar complicações mais para a frente e, realmente, houve secções do percurso onde ele fustigava os atletas. Se o vencedor bateu o recorde da prova nestas condições, nem imagino que tempo teria feito com condições atmosféricas mais brandas. O transporte para a partida foi muito eficiente com grande número de autocarros a fazer o percurso de meia hora desde a Gare do Oriente até ao local de partida e permitindo uns momentos de contemplação com as lindas vistas sobre o rio e ambas as margens. Chegados ao tabuleiro foi altura de caminhar até aos locais de partida das duas provas. Está na altura de estas "mega-corridas", com tal adesão, terem partidas separadas por tempos. Eu estava na terceira linha à partida (isto ainda a uns 100m da "Elite") e à minha frente estavam pessoas que iam caminhar e até mesmo crianças! Isto é prejudicial a atletas que estejam mais atrás e que queiram correr ao seu melhor nível e perigoso para todos como comprovado pelos dois homens que, passados apenas alguns segundos da partida, atrás de mim caíram após colidirem com um terceiro que ia muito devagar e tinha partido à frente deles. Uma alínea no Boletim de Inscrição com uma referência ao objectivo de tempo e/ou de resultados passados que permita uma separação à partida será o suficiente (tanto para a meia-maratona como para a mini pois há atletas que também nesta ambicionam a obtenção de um bom tempo ou posição final). A prova em si foi o costume. Andar bem até aos 16km/17km e depois cerrar os dentes e aguentar a dor de pernas que a falta de treinos longos não perdoa. Os abastecimentos estavam muito bem preparados com muita água, bebidas isotónicas e gente suficiente a fazer a entrega. Agora não percebo como é que uma prova com tais meios tem os quilómetros tão mal marcados. Garanto que não corri o meu mais rápido em 2m36s e o meu mais lento em 5m00s como o meu relógio marcou de acordo com as marcações disponibilizadas pela Organização. Se esta prova vai passar a ser considerada "IAAF Gold Label" (ver notícias de 28.09.2008 - "20.000 correram em Lisboa...") este é um ponto básico a ter em atenção. Uma falha destas é fácil de corrigir e evita desprestigiar uma prova muito bem organizada. À chegada lá vem um saquinho bem abastecido para ajudar à re-hidratação e à reposição de energia e logo começa a surgir a vontade de estar presente em 2009. O mar de atletas e caminheiros estendia-se a perder de vista e, apesar das pernas doridas, havia uma abundância de sorrisos que contagiava e fazia perceber que correr e caminhar assim não faz bem só à condição física.” JOÃO PATEIRA
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