A perspectiva da Ponte da Arrábida…

Domingo, 21 Setembro 2008
O olhar de um fotógrafo na Meia-Maratona do Porto




Depois de já ter corrido meias maratonas em alguns pontos do país, nunca se proporcionou estar numa que fosse acima de Lisboa. Isto de viver na Área Metropolitana de Lisboa e não ter oportunidade de estar muito fora dela tem o seu quê de limitador, pelo que desta feita tinha de respirar outros ambientes…

Mas não foi a correr que fiz a Meia-Maratona do Porto, mas sim a fotografar os milhares de atletas que correram nas marginais que envolvem o Rio Douro, quer no lado de Gaia, quer no lado do Porto. Depois de muitas sessões fotográficas que já realizei em outras provas de estrada e de pista, esta foi aquela que me obrigou a pressionar mais vezes o botão.

Normalmente ninguém se lembra do que pode ser uma prova observada do ponto de vista de um fotógrafo e o que vos posso garantir é que não traz de todo a mesma satisfação de correr uma Meia-Maratona (fala aqui um humilde corredor que nunca baixou da 1:30). Apesar de uma prova nos dar mais dores musculares, é certo, fotografar obriga-nos a não conseguir sentir aquela adrenalina de ver cada quilómetro a passar, a não sentir os limites do corpo e a não termos oportunidade de viver aquela satisfação que se chama SUPERAÇÃO.
Contudo desenganem-se aqueles que possam achar que a actividade do fotógrafo é chata e monótona. Digamos que é bastante agradável saber que estamos a marcar a presença daqueles atletas que tão satisfatoriamente correm, com feixes de luz que entram na objectiva de uma câmara fotográfica que tenta arranjar o melhor foco.

Esta prova tem um particular problema para os fotógrafos, que é o facto de sermos obrigados a fotografar contra-luz, prejudicando a qualidade da fotografia. Contudo a experiência permite-me tentar arranjar sempre o melhor enquadramento e decidi estabelecer a minha base de trabalho por baixo da Ponte da Arrábida. Estava perfeitamente descansado, porque tinha o Emanuel Neves (o mais recente elemento do Atleta-Digital.com) na Ponte D. Luís e o Filipe Oliveira (o fundador do Atleta-Digital.com) a fotografar o que se passava na zona de chegada e como tal a um quilómetro do fim coloquei todo o meu empenho a fotografar os “actores” desta margem tão bonita, como é a do Rio Douro.

Os primeiros a chegar foram os atletas da Mini-Maratona, os primeiros obviamente estavam a dar o que de melhor tinham, para garantirem que eram os primeiros atletas a cortar a meta, de uma prova que apesar de tudo é mais direccionada para todos aqueles que gostam de um Domingo divertido, a correr ou a andar entre milhares de corpos equipados com uma roupa mais desportiva. Nessa prova vi pessoas que estavam perfeitamente divertidas, outras mais sisudas pelo cansaço e outras ainda que aproveitaram para passear. Gostei muito de ver pais que transportavam os seus bebés em carrinhos e famílias inteiras que aproveitaram para se reunir num evento desportivo. É difícil descrever aquela miscelânea humana, que só tem uma única coisa que a torna semelhante : a t-shirt laranja da competição. Foi com muita satisfação que ouvi frases como “temos de começar a correr mais vezes” ou “isto de correr até é giro” entre muitos dos presentes, não só porque gosto de ver mais gente a começar a praticar esta modalidade, mas também porque foi exactamente numa prova do género, em Lisboa, que ganhei este “bichinho” que é o atletismo.


Na prova de Meia-Maratona o espírito é mais competitivo, nem que seja contra o cronómetro, embora as caras de felicidade tivessem sido substituídas por caras de esforço. Não, não é por isso que um meio-maratonista é um tipo sisudo e sem graça! A questão é que o 18º quilómetro é o começo de um calvário de cansaço, fome, desidratação e pouca vontade psicológica de sorrir, principalmente para aqueles que vão com menor preparação, mas também para os que vão bem preparados. Mas posso apostar que em 99% dos casos o sorriso interior é bastante grande, por estarem a fazer algo que os orgulha e que foi preparado com tanto afinco ao longo de meses. Além do mais não podemos esquecer que para alguns, esta prova terá sido como meio de incrementar ritmo competitivo para que dentro de um mês possam concluir nesta cidade a Maratona do Porto.

Contudo fico triste por continuar a ver poucas mulheres a correr esta distância e no Porto isso foi notório. Foram poucas as que se aventuraram nesta distância, face à percentagem de homens presentes. Isto quer dizer que ainda não se ultrapassaram as barreiras da vergonha/impossibilidade de uma mulher competir, depois de vermos bastantes a participar na Mini-Maratona. Será porque as mulheres não teriam o sonho de um dia sorrir de enorme satisfação por terem desafiado o seu corpo, ou porque preferem não se meterem nesses assados? Pois, é uma dúvida e seria até uma discussão longa a ter, caso quiséssemos analisar esse fenómeno ao detalhe…


Quanto à análise da organização desta prova, é mais uma das coisas a que um fotógrafo está privado, entre uma série de regalias que o comum mortal possa achar que temos. Acho que um atleta será mais competente para analisar a qualidade de uma prova, simplesmente porque passa por todo o percurso da mesma e detecta com maior facilidade o que correu melhor e o que correu pior. Contudo a minha visão da Ponte da Arrábida permite-me considerar que a RunPorto realizou um bom trabalho, tendo sido a primeira prova desta organizadora de provas a que assisti. Comparar esta meia-maratona com as que são organizadas em Lisboa (as que melhor conheço) seria ingrato, não só porque estamos a falar da segunda edição (contra muitas mais edições em Lisboa), mas também porque em Lisboa o “rebanho humano” é muito superior, por motivos históricos e demográficos. Contudo posso afirmar que ao nível da organização estamos perante qualidades semelhantes e quem sabe esta meia-maratona se aproxime dos números de participantes que existem em Lisboa, tendo assim capacidade de fomentar novos corredores e amantes da corrida (e quem sabe outras disciplinas do atletismo).

É por isso que hoje escrevo feliz, feliz porque o trabalho realizado pelos fotógrafos do Atleta-Digital foi de grande nível, mas também porque vejo que existe vontade de fazer qualquer coisa de melhor por esta modalidade, que deveria aproveitar melhor os sucessos olímpicos atingidos. Não é por acaso que a este evento se associou Nelson Évora e a triatleta Vanessa Fernandes, que até foi das melhores portuguesas da Meia-Maratona. Mas delicioso foi voltar a ver grandes atletas de outros tempos a correr, não podendo deixar de referir a grande forma com que Manuela Machado, António Pinto, Domingos Castro e outros estão, apesar da veterania e do abandono da modalidade. É obra…



Edgar Barreira (Administrador de Atleta-Digital.com)

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Comentarios (4)add feed
naum achei : ƒoƒinha
naum achei o q queria
Novembro 10, 2008
nauuum acheiiiiiiiii : ƒoƒinha
naummmm acheiiiiiiii
o que eu queriaaa smilies/undecided.gif smilies/smiley.gif smilies/wink.gif smilies/cheesy.gif smilies/shocked.gif
Novembro 10, 2008
♥♥ : ƒoƒinha
não conseguiiiiii acharr
p/ 1 trabalhoOoO
Novembro 10, 2008
... : babi
[/ smilies/angry.gif smilies/cool.gifpôw eu ñ tô achando meu deus me ajude!!!!!
jesus apague a luz!!!! smilies/tongue.gif smilies/cry.gif
Fevereiro 18, 2009
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